Convidamos a todos os que participaram a corrente de cura no sábado, 10/08, para fazermos o fechamento desse corrente no dia 24/08 no gira festiva ao grande Senhor da Terra e da cura, que livra a humanidade das doenças. Maiores informações pelo tel 85136071 (na imagem houve um erro de digitação) Atoto!!
Terreiro de Umbanda Vovó Catarina
Terreiro de Umbanda Vovó Catarina
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
Dicas aos médiuns iniciantes sobre incorporações
O ato de
incorporar não é simples. Um espírito não “entra” em nós como entramos em um
carro. Na verdade a plena incorporação leve tempo e precisa estabelecer outros
processos anteriores. Um deles é a irradiação. O que isso significa? É o
período de tempo variável que as entidades irradiam suas vibrações no médium,
preparando seus corpos sutis para posteriores incorporações. Nessa etapa o
médium pode captar a vibração da entidade e ter contato fluidicamente com o
corpo astral da entidade. Isso dará ao médium uma impressão de como é a
entidade, como ele a sente. Ele pode nessa fase captar muitas idéias vinda das
entidades, mas pode se confundir muito com seus próprios pensamentos. Pode
sentir uma forte força o conduzindo a andar, sentar ou manipular algo. Ele
sente muitas reações corporais; suor, tremores, mãos frias e molhadas, ou
calores, falta de noção de espaço e possível visão embasada, além de dormência,
taquicardia, fraqueza nas pernas, tonteira, torpor, dor em determinadas áreas
do corpo. Esses são alguns sintomas que se pode sentir.
Essas
reações são variáveis de pessoa pra pessoa, resultado da manipulação energética
que as entidades operam em seus médiuns. Muitas vezes desobstruindo chacras,
reparando buracos na aura, além de estarem preparando as áreas responsáveis
para estabelecer futuras incorporações.
A ansiedade,
medo, angustia e esclarecimento, pode dificultar essa fase, pois é médium não
se permite inconscientemente as vezes, receber de forma plenas essas
irradiações e bloqueia. Mas com o tempo a entidade consegue preparar seu pupilo
para estabelecer uma conexão satisfatória para uma incorporação.
O que você
pode fazer para melhorar e captar bem as irradiações e a transição para as
incorporações?
Quando o
médium sentir as primeiras ações de sua entidade, é aconselhável que tente
esvaziar a mente de pensamentos, perguntas, dúvidas e medos. Se concentre em
deixar o corpo leve, sem tensões. Ele pode ter visões nessa fase, o que pode
ser imagens lançadas ao médium pela própria entidade. E quanto mais relaxado e
livre de pensamentos ele tiver, mas vai sentir sua entidade e interagir com
ela.
Ao
iniciante, chega sempre um momento que é difícil distinguir o que são suas
idéias, ações das entidades ou reações dele mesmo. Uma incorporação se
estabelece quando o médium perde parcial ou total força sob seu corpo e este
passa a ser dirigido por uma força estranha a ele. O médium não comanda o seu
corpo, e se tentar sentar, caminhar, agir normalmente não irá conseguir. Uma
coisa meio que incoerente que muitos textos passam é que a consciência ou
inconsciência está atrelada a domínio do corpo físico. Mas uma coisa não se
relaciona com outra. Na prática podemos
verificar isso. Porque a maioria dessas literaturas que abordam mais este
assunto, são literaturas de origem espíritas. Mas devemos colocar que a
dinâmica das manifestações mediúnicas nos centros espíritas, são um tanto
diferentes das manifestações dos guias espirituais de religiões
afro-ameríndias. O grande contingente de ações mediúnicas nos CEs é de
espíritos obsessores e sofredores para receberem orientações e doutrinação. Ou
seja, a natureza do espírito é completamente diferente e as manifestações
ocorrem via mental, sem que o espírito tome o controle corporal do médium.
Porém as entidades, de natureza diferente de espíritos de baixa vibração, agem
em nosso corpo e centros de força, estabelecendo a incorporação de fato. O que
somente pode ocorrer vinda de espíritos inferiores quando se estabelece uma
possessão, porém este é um caso atípico de médiuns descontrolados e em
processos graves de obsessão e não num médium equilibrado, já apto a exercer
sua função num centro espírita.
Ou seja, a
natureza mediúnica nas duas searas é diferente.
Quando o médium
de umbanda perder o controle de seu corpo, e perceber uma força o conduzindo de
forma equilibrada, controlada e ordenada, a entidade estabeleceu uma excelente sintonia
com o médium. Dentro desse panorama, a entidade pode demorar um pouco pra
falar, mas não é via de regra. O médium vai perceber que as idéias lhe chegam e
são pronunciadas de forma rápida, sem que fique perdido em pensamento e
reflexões para depois falar. A fala da entidade é direta. Muitas vezes no
inicio, as palavras podem passar pelo mental do médium antes de serem ditas,
mas com o tempo, isso torna-se praticamente automático. E muitas vezes vocês
vão passar pela situação de pensar uma coisa e da sua boca, sair outra
completamente diferente. É a entidade que está no controle e não você.
Voltando a
questão de inconsciência x controle do corpo. Como falei, alguns escritores
alegam que o médium somente perde o controle de seu corpo, quando ficam
inconscientes. Mas na prática vemos que isso não procede. O médium pode perder
completamente o domínio de seu corpo e ser tomado pela entidade e estar
perfeitamente consciente, vendo e ouvindo tudo. O que ocorre é uma perda de
noção tempo-espaço, além da sensibilidade corporal que se altera. Dentro de um
escala pra mais ou pra menos, respeitando obviamente as leis da física e
materiais, o médium fica mais resistente ao calor e ao frio, assim como suas
necessidades fisiológicas ficam alteradas. Ele pode passar muitas horas sem ir
ao banheiro, sentir fome, ou cansaço. Pois não somente seu sistema metabólico
como outros sistemas se altera. Mas qualquer desarranjo ou desconforto corporal
que o médium esteja sentindo pode afetar e atrapalhar . Por isso é tão
importante cuidar do corpo, alimentação e fazer os resguardos para que tudo
esteja equilibrado para que a entidade tenha um “aparelho” satisfatório para
trabalhar. Pois água limpa em copo sujo, jamais será de boa qualidade para o
consumo. Limitações físicas e descuidos podem comprometer o nível e intensidade
do domínio da entidade em seu médium, ou seja, na incorporação. Médiuns em
idade avançada, as manifestações são simplesmente mentais, pela fragilidade do
corpo físico.
Como vocês
podem perceber o nosso corpo é exigido nos processos de incorporação. E nós
somos responsáveis por estar cuidando para sermos bons e viáveis veículos para
nossos guias. Então não dependem somente delas, mas de nós também, pois quanto
mais disciplina e prática tiverem, mais firmes será suas atividades no
terreiro. E todos só têm a ganhar com isso; entidade, médiuns, terreiro, irmãos
da corrente, assistentes e a nossa Umbanda.
Ana Araujo - Texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda Vovó Catarina
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Quizilas existem? O que é quizila?
Palavra de origem africana (quimbundo), que quer dizer
antipatia, mal estar, aborrecimento, segundo o dicionário Michaelis. A palavra
também que é muito conhecida e faz parte da linguagem do povo de axé.
Acredito que haja uma linha muito tênue sobre esse tema
entre a Umbanda e o Candomblé, porque assim como o uso do branco nas sextas feiras, é
oriundo de uma organização primária do candomblé, as quizilas também. Mas
diferente do uso do branco e outros preceitos para a sexta feira, dia de Oxalá,
as quizilas são oriundas de um conhecimento da própria cultura africana e não
foi instaurada pelo grupo organizador do candomblé, pois este faz parte do
culto a Orixá desde sua origem africana. O povo africano também respeitava as
quizilas do Orixá que prestava culto. O que houve foi apenas uma adaptação, já que muitas folhas, frutos, sementes, etc não existiam na África.
E muita casa com fortes influencias africanista também
adotaram e receberam também o entendimento, embora muitas vezes distorcidos e
meramente simbólicos sem muita compreensão sobre o porquê dos interditos, mas
adotam também e repassam aos seus filhos de fé. Certos ou errados? Não entrarei
nesse mérito de forma alguma, pois não me compete apontar o dedo a casa alheia
e dizer que tal preceito é certo ou errado.
As quizilas dizem respeito ao que pode ou não um omorixá
(quem cultua Orixá), comer, vestir, formas de comportamento e elementos
naturais que são compatíveis ou não com ele. O que pode usar ou não. E isso não
é uma questão de supertição, mas de axé. Cada pessoa tem seu campo único de
energias orgânicas e inorgânicas, tem sua frequência espiritual e sua porção
natural divina dentro de si. Uma vez despertado esse axé primordial dentro de
nós, através do ritual de iniciação, a energia Orixá que somos, ficam em
evidencia e “a flor da pele”. E um axé que foi despertado e que estará conosco
de forma mais forte e não adormecida. Somos seres naturais e portanto
dependemos da natureza e do que ela provê para sobrevivermos. Porém também
somos seres naturais e portanto, existem alimentos, plantas e manipulações
naturais e humanas que são incompatíveis com nossa energia natural divina. E o
que essa incompatibilidade nos causa seja emocionalmente, fisicamente, ou
mentalmente se chama quizila.
Numa linguagem bem simplista e simbólica é costume dizer “não
coma isso que seu santo não gosta, não beba isso que vai inquizilar seu santo”.
Na verdade não vamos deixar ninguém bravo e revoltado conosco, mas trata-se de
estarmos consumindo algo que não é bom para nosso corpo físico e espiritual ,
pela vibração natural do elemento/alimento que é incompatível com nossa própria
energia. Já pararam pra pensar que
muitos alimentos nos dão mal estar? E pra outras pessoas não? Que algumas
pessoas respondem melhor a certos tipos de remédios do que outras, de pessoas
que se sentem bem bebendo algum chá ou mesmo banho e outras não? Porque cada
ser humano é único e tem seu próprio organismo espiritual que melhor se adéqua
a este ou aquele elemento. E as quizilas são justamente o que nos trazem
malefícios e não é uma boa pedida pra nosso equilíbrio e bem estar.
Porém as pessoas que levam a coisa ao pé da letra entendem
de forma muito humanizada, de que é alguém, nosso Orixá que não gosta de tal
coisa e por isso proíbe seus filhos de consumirem. Mas vamos enxergar abrir
nossa mente pra ver as coisas mais além do que os simbolismos e alegorias. Da
mesma forma é a expressão “ o que meu Orixá come”. Orixá não come, nós é quem
comemos, compartilhamos á mesa de elementos naturais que sintetizam e são a
expressão do Orixá individualizado na natureza; nas folhas, frutos, sementes, grãos,
etc. E o homem aprendeu a manipular esse axé em forma de alimento que ingere
como remédio, combustível para manter-se vivo, saudável e com vigor em sua vida
corpórea. E nos alimentamos todos os dias de axé natural e sem eles não
sobrevivemos.
Falando no âmbito da Umbanda, não é via de regra que se
respeitem as quizilas dos Orixás, até porque é preciso se entender o Orixá e
ter o conhecimento dos elementos incompatíveis ao seu axé natural. Estudando o
Orixá, seus mitos que alegoricamente nos trouxe o que é cada Orixá, entendemos
sua vibração, onde ele se manifesta na natureza, o que é afim a essa emanação,
etc. E esse aprofundamento nos mistérios e fundamentos do Orixá não é o bojo que
norteia a Umbanda, pois não somos o Culto do Orixá, mas sim, o norte de nossa crença
é justamente as entidades. Embora nós prestamos culto aos Orixás, não iniciamos
Omorixás, Não é o objetivo despertar através da iniciação e rituais o Orixá porção
divina dos adeptos. Mas não deixamos de louvar e cultuar dentro de fundamentos
próprios as emanações divinas; Orixás, porém de forma, rituais e liturgia
diferente do culto ao Orixá, o Candomblé de Orixá. Somos outra religião, uma
religião independente e não precisamos copiar, implantar nem importar rituais
para nossas casas de Umbanda, até porque os rituais do candomblé que envolve
iniciação, não é apenas uma questão de ir e fazer. É preciso ter assentos que
somente é pertinente a uma casa de nação, organização física apropriada, não
misturar dentro de mesmo âmbito os assentos dos Orixás e entidades, etc. Devemos
reconhecer que existem dentro da Umbanda muitas casas deverás influenciadas por
práticas de nação, e estes, orientam seus filhos sobre as quizilas de seus pais
de cabeça. Mas percebo que é algo mais superficial, sem se aprofundar muito
nessa questão. Interditam algumas coisas básicas e mais evidentes e não
estendem a uma profundidade. O que em nada desabona a casa. Afinal somos
Umbanda e não Candomblé. E acredito sempre que devemos respeitar o entendimento
alheio com relação à forma que pratica e repassa o que aprendeu.
Ana Araujo
Texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda Vovó
Catarina e está protegido seus direitos autorais.
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