Terreiro de Umbanda Vovó Catarina

Terreiro de Umbanda Vovó Catarina
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sábado, 19 de outubro de 2013

Oni Ibeijada! Salve todas as crianças espirituais! Que o axé de Ibeiji possa gerar sempre as boas e mais belas e alegres sementes para nossas vidas! Axé! Salve Rosinha da Praia, Zezinho, Ritinha, Estrelinha, Joãozinho e todas as beijadas que trabalharam nesse gira festiva com muita alegria, transmitindo paz, harmonia, doçura e alegria de viver!!

Festa realizada no dia 13 de outubro de 2013




quarta-feira, 2 de outubro de 2013

domingo, 15 de setembro de 2013

O Médium e o Conhecimento de si próprio




Ser médium é ser dotado de um faculdade especial.
Mas para ser um bom médium é preciso se conhecer. 
Existem médiuns fantásticos, que se perdem ou já se perderam por vaidade, arrogância, falta de humildade, falta de disciplina, por Ganância. 
Ou simplesmente se perdem por ficaram parados, Por virarem máquinas de "trabalho", ou apenas "cavalos e Burros" como dizem algumas entidades. 
O médium se perde qdo deixa de estudar, de se aprimorar, de se lapidar, se perde qdo deixa de se conhecer. 
Compreender ao próximo e a si mesmo é ponto fundamental para quem se coloca como médium dentro de um templo religioso. 
É preciso olhar dentro de nós e encontrar os erros e acertos. Todos os dias temos de melhorar, o aprendizado deve ser constante, nunca devemos parar. 
Além do exercício da Contemplação, ( se vc não sabe o que é isso, leia aqui:http://goo.gl/O1F94 ) comecemos o nosso estudo pessoal com o exercício da paciência, do perdão e do amor, Busquemos ser mais tolerantes, conosco e com as situações adversas em nosso redor. 
Quem não perdoa, não é perdoado, e quem não perdoa a si mesmo jamais se livra das amarras da dor.

Conheça a si mesmo, seus limites, seus desejos, seus medos, seus erros. Não, vc não é, nem será perfeito. Mas comece por tentar melhorar. 

Tb não devemos nos fragilizar colocando a culpa de tudo que acontece conosco no universo ou em nossos guias. Não! não existe culpa. Existem erros e acertos e deles vão depender nossos caminhos. 

Nunca julgue. Deixe isso a cargo de deus e seus orixás e Guias. Tb não peça Justiça com o intuito de pedir vingança. Verifique em seu interior se na verdade essa "justiça" não é querer mal a outra pessoa. 

Nunca inveje a outrem. Cada um segue seu caminho, construa o seu. Crie e cultive seu brilho próprio. 

Seja Humilde, aprenda, ouça. e divida o que aprendeu. Não guarde para si gotas sagradas de sabedoria. 

Seja Fiel, a si mesmo, a seus princípios. 

Nunca profane o sagrado e as pessoas que lhe ensinaram. Honre aqueles que lhe ensinaram, na vida, na religião... Entretanto, se essas pessoas se perderem de seus verdadeiros caminhos, Perdoe, peça luz a elas, e continue vc seguindo seu próprio caminho. Guarde delas o melhor dos seus ensinamentos. e Siga em frente. 

E seja feliz! Busque em tudo a essência da alegria, da paz, de Deus, Dos Orixás e Guias. a SUA paz interior. 

E tudo isso, por experiência própria, pq só eu sei como mudei desde que entrei pra Umbanda e fiz dela a mh segunda casa e mh família. Hj posso dizer que sou uma pessoa muito melhor, longe demais da perfeição, mas cada dia uma passo novo a caminho do bem. 

CURTA: Umbanda é Caminho e Mediunidade na Umbanda

Um dia de paz e axé. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

3 º Encontro: Umbanda; muitas vozes, um só Coração

3 º Encontro: Umbanda; muitas vozes, um só Coração








Será no dia 03 de novembro, domingo, de 10:00 ás 19:00 hs, o encontro idealizado e organizado pelo Terreiro de Umbanda Vovó Catarina, que estará localizado na R. Egídio, 1240, Vila Emil - Mesquita. Informações adicionais pelo cel: 85136071

Estamos convidando todos os irmãos na fé Umbandista, de religiões afro-brasileiras e mediúnicas e, simpatizantes, para estar conosco nesse dia de debates, palestras e comunhão referente a nossa sagrada Umbanda e assuntos co-relatos, como mediunismo, influência ameríndias, e africanas na Umbanda, regionalismo e a diversidade ritualística, consciência umbandista e preservação ambiental, Umbanda e política, sacrifícios e outros temas de suma importância para nossa religião. Temas para reflexão, esclarecimentos aos simpatizantes e debates entre os diversos segmentos e escolas dentro da própria Umbanda.

Como das edições anteriores, o objetivo maior do Encontro é promover a interação de segmentos de Umbanda diferentes, PROMOVER A UMBANDA em seu mês de aniversário, levar um pouco de conhecimento aos que buscam estudos referentes às nossas crenças, e, comungar entre irmãos num só objetivo em homenagem a essa maravilhosa RELIGIÃO.

Nos tempos de ataques e grande intolerância ainda com os cultos afros-brasileiros, é tempo de nos unir cada vez mais, criar laços entre os Terreiros e lutar contra a intolerância interna e o preconceito com relação à Umbanda que meu irmão pratica e assim ter o respeito merecido a nossa religião, pois se não respeitamos uns aos outros, como pedir respeito ao leigo que nos desconhece? O respeito e educação precisam começar dentro de casa e ir ás ruas.

Então não deixe de participar desse evento que só terá a somar a sua vivência, aprendizado e sua construção dentro dessa fé chamada UMBANDA. Será uma grande união entre Terreiros, Zeladores e filhos de fé.

Marquem já no calendário de vocês o primeiro domingo do mês de novembro; 03/11, para esse encontrão e aguardem maiores informações com o cronograma dos assuntos em debates, e seus palestrantes!

Não fique de fora e incentive essa ideia para que mais terreiros promovam e participem dessa atividade tão importante para nossa religião nos dias atuais; buscar conhecimento, questionar, debater, trocar ideias, pensar e refletir! Saravá!

Ana Araújo – Dirigente do Terreiro de Umbanda Vovó Catarina

Caô Xangô


Salve as Crianças!

Sequencia de algumas montagens que fiz para a página Umbanda é Caminho












quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tenda Espiritualista Estrela de Lotus



Aproveitando para agradecer a todos os Ciganos e Ciganos que estão dentro de nossa egregora formando um só corpo; material e espiritual com objetivos comuns para o progresso, sucesso e louvar nossos antepassados! Cigano Petrovic nosso mentor, Cigana Zaira minha companheira e guia, Cigano Vladimir, Cigano Sirium, Ciganos Baltazar, Cigana Yasmim, Cigana Esmeralda, Ciganinha Miramar, Sunakana... muio obrigada a todos vocês! Que Santa Sara ilumine sempre todos nós.! 






segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A depressão pode ter causa espiritual?



por
 Sandra Cecília Oliveira



A depressão é uma doença que compromete o organismo como um todo: a capacidade de pensar, executar tarefas, comer e até dormir. Não é apenas um "baixo astral". A pessoa deprimida não consegue simplesmente reagir e se livrar dos sintomas incapacitantes. A depressão maior envolve muitos sintomas e inibem bastante a capacidade da pessoa, sua ação e seu humor. A depressão menor, chamada de distimia, envolve sintomas crônicos e prolongados. Não são tão incapacitantes como a depressão maior, no entanto, a pessoa com distimia também pode desenvolver uma depressão maior. 


O distúrbio bipolar antigamente chamado de doença maníaca depressiva, caracterizada por períodos de depressão e outros de mania.
Em todos esses casos é necessário um tratamento psiquiátrico ou psicoterapia ou ambos. A eficácia dos antidepressivos está assegurada. O efeito dos medicamentos é sentido em tres semanas aproximadamente. Depende de cada pessoa. 

A depressão também pode ter causas espirituais, isto é, ser um processo obsessivo causado por um espírito inferior. Nesse caso, o espírito obsidia a pessoa e a perturba mentalmente. Sua vibração pesada e inferior afeta a saúde do deprimido como um todo. Os medicamentos não fazem o efeito esperado.  É o que chamamos popularmente de encosto. 

Nesse caso o doente deve procurar um tratamento espiritual numa casa espírita. No entanto, não deve, em hipótese nenhuma abandonar o tratamento medico ou ambulatorial. Deve aliar o tratamento médico com o espiritual. Obsessões graves podem comprometer muito a saúde física e emocional da pessoa. 

Praticamente todas religiões oferecem suporte para tratamento espiritual. Na religião católica, imposição das mãos. Na religião espírita, passes e água fluida. E, se a pessoa for umbandista será encaminhada ao terreiro para descarregar os miasmas dos espíritos inferiores. A mediunidade desiquilibrada ou em desenvolvimento pode causar depressão. A mediunidade é um dom de se comunicar com os espíritos inerentes a todas as pessoas em maior ou menor grau. No entanto, algumas pessoas manifestam esse dom de forma ostensiva com sintomas diferentes e estranhos. Deve ser encaminhada a uma casa espírita e, através, de palestras educativas, passes, conhecer os mecanismos da mediunidade. É um dom a mais para o ser humano ajudar a si mesmo e aos outros. 

Por que esses espíritos encostam no ser humano? Pode ser que este esteja predisposto por conta do estress, da ansiedade, a falta de fé em si mesmo. A pessoa fica um alvo fácil para esses espíritos negativos. Ou é  um resgate de vidas passadas.Aquele espírito encarnado que prejudica o deprimido na vida atual pode ter sido prejudicado por ele na vida passada. Mesmo assim, Deus não quer o mal e nem o sofrimento de ninguém.O que importa é o momento presente. Construa um alicerce emocional e espiritual forte para enfrentar a realidade do dia a dia. O otimismo, o trabalho e a fé podem ser as vacinas que nos imunizam contra ataques espirituais. Afastar o espírito com preces, tratamentos espirituais de desobsessão ajudam na cura do problema. No entanto, orai e vigiai sempre!As companhias espirituais são atraídas por nossos pensamentos. Cada um tem a companhia espiritual que merece ou que atraiu. Cuide da sua vida espiritual! Cuidar da vida espiritual não é somente ir ao templo, culto ou casa espírita ,mas trabalhar para o autoaprimoramento. Agregar energias positivas através de boas atitudes. Ser uma pessoa grata para com a vida.

Uma frase sábia: "Se quer afastar os maus espíritos atraia os bons!". 

Não tente reagir sozinho e não se preocupe com os pensamentos negativos que são muitos durante o processo depressivo. Fazem parte da doença e com o tratamento espiritual e físico eles tendem a desaparecer. 

Solicite a companhia dos familiares e dos amigos. Evite ficar trancado em casa ruminando a doença. Respeite os limites da depressão, mas saiba que a melhora e a cura também dependem muito de você. 


 Convidamos a todos os que participaram a corrente de cura no sábado, 10/08, para fazermos o fechamento desse corrente no dia 24/08 no gira festiva ao grande Senhor da Terra e da cura, que livra a humanidade das doenças. Maiores informações pelo tel 85136071 (na imagem houve um erro de digitação) Atoto!!



domingo, 11 de agosto de 2013

Dicas aos médiuns iniciantes sobre incorporações



incorporações

O ato de incorporar não é simples. Um espírito não “entra” em nós como entramos em um carro. Na verdade a plena incorporação leve tempo e precisa estabelecer outros processos anteriores. Um deles é a irradiação. O que isso significa? É o período de tempo variável que as entidades irradiam suas vibrações no médium, preparando seus corpos sutis para posteriores incorporações. Nessa etapa o médium pode captar a vibração da entidade e ter contato fluidicamente com o corpo astral da entidade. Isso dará ao médium uma impressão de como é a entidade, como ele a sente. Ele pode nessa fase captar muitas idéias vinda das entidades, mas pode se confundir muito com seus próprios pensamentos. Pode sentir uma forte força o conduzindo a andar, sentar ou manipular algo. Ele sente muitas reações corporais; suor, tremores, mãos frias e molhadas, ou calores, falta de noção de espaço e possível visão embasada, além de dormência, taquicardia, fraqueza nas pernas, tonteira, torpor, dor em determinadas áreas do corpo. Esses são alguns sintomas que se pode sentir.

Essas reações são variáveis de pessoa pra pessoa, resultado da manipulação energética que as entidades operam em seus médiuns. Muitas vezes desobstruindo chacras, reparando buracos na aura, além de estarem preparando as áreas responsáveis para estabelecer futuras incorporações.
A ansiedade, medo, angustia e esclarecimento, pode dificultar essa fase, pois é médium não se permite inconscientemente as vezes, receber de forma plenas essas irradiações e bloqueia. Mas com o tempo a entidade consegue preparar seu pupilo para estabelecer uma conexão satisfatória para uma incorporação.
O que você pode fazer para melhorar e captar bem as irradiações e a transição para as incorporações?
Quando o médium sentir as primeiras ações de sua entidade, é aconselhável que tente esvaziar a mente de pensamentos, perguntas, dúvidas e medos. Se concentre em deixar o corpo leve, sem tensões. Ele pode ter visões nessa fase, o que pode ser imagens lançadas ao médium pela própria entidade. E quanto mais relaxado e livre de pensamentos ele tiver, mas vai sentir sua entidade e interagir com ela.
Ao iniciante, chega sempre um momento que é difícil distinguir o que são suas idéias, ações das entidades ou reações dele mesmo. Uma incorporação se estabelece quando o médium perde parcial ou total força sob seu corpo e este passa a ser dirigido por uma força estranha a ele. O médium não comanda o seu corpo, e se tentar sentar, caminhar, agir normalmente não irá conseguir. Uma coisa meio que incoerente que muitos textos passam é que a consciência ou inconsciência está atrelada a domínio do corpo físico. Mas uma coisa não se relaciona com outra.  Na prática podemos verificar isso. Porque a maioria dessas literaturas que abordam mais este assunto, são literaturas de origem espíritas. Mas devemos colocar que a dinâmica das manifestações mediúnicas nos centros espíritas, são um tanto diferentes das manifestações dos guias espirituais de religiões afro-ameríndias. O grande contingente de ações mediúnicas nos CEs é de espíritos obsessores e sofredores para receberem orientações e doutrinação. Ou seja, a natureza do espírito é completamente diferente e as manifestações ocorrem via mental, sem que o espírito tome o controle corporal do médium. Porém as entidades, de natureza diferente de espíritos de baixa vibração, agem em nosso corpo e centros de força, estabelecendo a incorporação de fato. O que somente pode ocorrer vinda de espíritos inferiores quando se estabelece uma possessão, porém este é um caso atípico de médiuns descontrolados e em processos graves de obsessão e não num médium equilibrado, já apto a exercer sua função num centro espírita.
Ou seja, a natureza mediúnica nas duas searas é diferente.
Quando o médium de umbanda perder o controle de seu corpo, e perceber uma força o conduzindo de forma equilibrada, controlada e ordenada, a entidade estabeleceu uma excelente sintonia com o médium. Dentro desse panorama, a entidade pode demorar um pouco pra falar, mas não é via de regra. O médium vai perceber que as idéias lhe chegam e são pronunciadas de forma rápida, sem que fique perdido em pensamento e reflexões para depois falar. A fala da entidade é direta. Muitas vezes no inicio, as palavras podem passar pelo mental do médium antes de serem ditas, mas com o tempo, isso torna-se praticamente automático. E muitas vezes vocês vão passar pela situação de pensar uma coisa e da sua boca, sair outra completamente diferente. É a entidade que está no controle e não você.
Voltando a questão de inconsciência x controle do corpo. Como falei, alguns escritores alegam que o médium somente perde o controle de seu corpo, quando ficam inconscientes. Mas na prática vemos que isso não procede. O médium pode perder completamente o domínio de seu corpo e ser tomado pela entidade e estar perfeitamente consciente, vendo e ouvindo tudo. O que ocorre é uma perda de noção tempo-espaço, além da sensibilidade corporal que se altera. Dentro de um escala pra mais ou pra menos, respeitando obviamente as leis da física e materiais, o médium fica mais resistente ao calor e ao frio, assim como suas necessidades fisiológicas ficam alteradas. Ele pode passar muitas horas sem ir ao banheiro, sentir fome, ou cansaço. Pois não somente seu sistema metabólico como outros sistemas se altera. Mas qualquer desarranjo ou desconforto corporal que o médium esteja sentindo pode afetar e atrapalhar . Por isso é tão importante cuidar do corpo, alimentação e fazer os resguardos para que tudo esteja equilibrado para que a entidade tenha um “aparelho” satisfatório para trabalhar. Pois água limpa em copo sujo, jamais será de boa qualidade para o consumo. Limitações físicas e descuidos podem comprometer o nível e intensidade do domínio da entidade em seu médium, ou seja, na incorporação. Médiuns em idade avançada, as manifestações são simplesmente mentais, pela fragilidade do corpo físico. 

Como vocês podem perceber o nosso corpo é exigido nos processos de incorporação. E nós somos responsáveis por estar cuidando para sermos bons e viáveis veículos para nossos guias. Então não dependem somente delas, mas de nós também, pois quanto mais disciplina e prática tiverem, mais firmes será suas atividades no terreiro. E todos só têm a ganhar com isso; entidade, médiuns, terreiro, irmãos da corrente, assistentes e a nossa Umbanda. 

Ana Araujo - Texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda Vovó Catarina

Visita nossa página no facebook: @MediunidadenaUmbanda


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Quizilas existem? O que é quizila?



Palavra de origem africana (quimbundo), que quer dizer antipatia, mal estar, aborrecimento, segundo o dicionário Michaelis. A palavra também que é muito conhecida e faz parte da linguagem do povo de axé.

Acredito que haja uma linha muito tênue sobre esse tema entre a Umbanda e o Candomblé, porque assim como o uso do branco nas sextas feiras, é oriundo de uma organização primária do candomblé, as quizilas também. Mas diferente do uso do branco e outros preceitos para a sexta feira, dia de Oxalá, as quizilas são oriundas de um conhecimento da própria cultura africana e não foi instaurada pelo grupo organizador do candomblé, pois este faz parte do culto a Orixá desde sua origem africana. O povo africano também respeitava as quizilas do Orixá que prestava culto. O que houve foi apenas uma adaptação, já que muitas folhas, frutos, sementes, etc não existiam na África. 

E muita casa com fortes influencias africanista também adotaram e receberam também o entendimento, embora muitas vezes distorcidos e meramente simbólicos sem muita compreensão sobre o porquê dos interditos, mas adotam também e repassam aos seus filhos de fé. Certos ou errados? Não entrarei nesse mérito de forma alguma, pois não me compete apontar o dedo a casa alheia e dizer que tal preceito é certo ou errado.

As quizilas dizem respeito ao que pode ou não um omorixá (quem cultua Orixá), comer, vestir, formas de comportamento e elementos naturais que são compatíveis ou não com ele. O que pode usar ou não. E isso não é uma questão de supertição, mas de axé. Cada pessoa tem seu campo único de energias orgânicas e inorgânicas, tem sua frequência espiritual e sua porção natural divina dentro de si. Uma vez despertado esse axé primordial dentro de nós, através do ritual de iniciação, a energia Orixá que somos, ficam em evidencia e “a flor da pele”. E um axé que foi despertado e que estará conosco de forma mais forte e não adormecida. Somos seres naturais e portanto dependemos da natureza e do que ela provê para sobrevivermos. Porém também somos seres naturais e portanto, existem alimentos, plantas e manipulações naturais e humanas que são incompatíveis com nossa energia natural divina. E o que essa incompatibilidade nos causa seja emocionalmente, fisicamente, ou mentalmente se chama quizila.

Numa linguagem bem simplista e simbólica é costume dizer “não coma isso que seu santo não gosta, não beba isso que vai inquizilar seu santo”. Na verdade não vamos deixar ninguém bravo e revoltado conosco, mas trata-se de estarmos consumindo algo que não é bom para nosso corpo físico e espiritual , pela vibração natural do elemento/alimento que é incompatível com nossa própria energia.  Já pararam pra pensar que muitos alimentos nos dão mal estar? E pra outras pessoas não? Que algumas pessoas respondem melhor a certos tipos de remédios do que outras, de pessoas que se sentem bem bebendo algum chá ou mesmo banho e outras não? Porque cada ser humano é único e tem seu próprio organismo espiritual que melhor se adéqua a este ou aquele elemento. E as quizilas são justamente o que nos trazem malefícios e não é uma boa pedida pra nosso equilíbrio e bem estar.

Porém as pessoas que levam a coisa ao pé da letra entendem de forma muito humanizada, de que é alguém, nosso Orixá que não gosta de tal coisa e por isso proíbe seus filhos de consumirem. Mas vamos enxergar abrir nossa mente pra ver as coisas mais além do que os simbolismos e alegorias. Da mesma forma é a expressão “ o que meu Orixá come”. Orixá não come, nós é quem comemos, compartilhamos á mesa de elementos naturais que sintetizam e são a expressão do Orixá individualizado na natureza; nas folhas, frutos, sementes, grãos, etc. E o homem aprendeu a manipular esse axé em forma de alimento que ingere como remédio, combustível para manter-se vivo, saudável e com vigor em sua vida corpórea. E nos alimentamos todos os dias de axé natural e sem eles não sobrevivemos.

Falando no âmbito da Umbanda, não é via de regra que se respeitem as quizilas dos Orixás, até porque é preciso se entender o Orixá e ter o conhecimento dos elementos incompatíveis ao seu axé natural. Estudando o Orixá, seus mitos que alegoricamente nos trouxe o que é cada Orixá, entendemos sua vibração, onde ele se manifesta na natureza, o que é afim a essa emanação, etc. E esse aprofundamento nos mistérios e fundamentos do Orixá não é o bojo que norteia a Umbanda, pois não somos o Culto do Orixá, mas sim, o norte de nossa crença é justamente as entidades. Embora nós prestamos culto aos Orixás, não iniciamos Omorixás, Não é o objetivo despertar através da iniciação e rituais o Orixá porção divina dos adeptos. Mas não deixamos de louvar e cultuar dentro de fundamentos próprios as emanações divinas; Orixás, porém de forma, rituais e liturgia diferente do culto ao Orixá, o Candomblé de Orixá. Somos outra religião, uma religião independente e não precisamos copiar, implantar nem importar rituais para nossas casas de Umbanda, até porque os rituais do candomblé que envolve iniciação, não é apenas uma questão de ir e fazer. É preciso ter assentos que somente é pertinente a uma casa de nação, organização física apropriada, não misturar dentro de mesmo âmbito os assentos dos Orixás e entidades, etc. Devemos reconhecer que existem dentro da Umbanda muitas casas deverás influenciadas por práticas de nação, e estes, orientam seus filhos sobre as quizilas de seus pais de cabeça. Mas percebo que é algo mais superficial, sem se aprofundar muito nessa questão. Interditam algumas coisas básicas e mais evidentes e não estendem a uma profundidade. O que em nada desabona a casa. Afinal somos Umbanda e não Candomblé. E acredito sempre que devemos respeitar o entendimento alheio com relação à forma que pratica e repassa o que aprendeu.

Ana Araujo


Texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda Vovó Catarina e está protegido seus direitos autorais.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013


O que é Aura?



Como definir a aura de forma simples, como um "corpo" luminoso e fluídico que está sob o corpo físico. Como eu gosto de chamar, a aura é o nosso "arco-íris" interno, onde reflete e exterioriza nossa energia, quando esta, reflete-se na luz.


Também chamada de psicosfera e pensene - termos criados por André Luís e Waldo Vieira, respectivamente, a aura é o campo que reflete nossos sentimentos, padrão vibratório e emoções. Sendo assim, sua cor e aparência varia conforme nosso estado emocional e energético não permanecendo de uma cor só. Sua aparência irá resultar as emanações do momento de cada indivíduo conforme seus padrões psíquicos e emocionais. A aura também pode refletir distúrbios de ordem física e a natureza íntima e "evolutiva" de cada ser. 

André Luiz no livro "Evolução em dois mundos" fala sobre a aura humana:

" considerando-se toda a célula em ação por unidade viva, qual o motor microscópio, em conexão com a usina mental, é claramente compreensível que todas as agregações celulares emitam radiações e que essas radiações se articulem, através de energias funcionais, a se construírem de recursos que podemos nomear por "tecidos de força", em torno dos corpos que as exteriorizam. Todos os seres vivos, por isso, dos mais rudimentares aos mais complexos, se revestem de um "halo energético" que lhes corresponde a natureza". 

Então, como vemos pelas palavras de André Luís, todos os seres vivos possuem aura, pois é o resultado exteriorizado do seu campo energético. 

Podemos ver a aura através da capacidade de clarividência ou pela fotografia kirlian, que consegue fotografar nosso campo eletro-magnético. Através da observação da aura, podemos ver diferentes dores, tons, intensidade e brilho diferente de pessoa para pessoa e em momentos diferentes numa mesma pessoa, já que a cor e aspecto da aura muda conforme o estado psiquico-emocional de uma pessoa. 

A aura e mediunidade

Segundo Maisa Intelisano, a aura por ser um campo energético que o médium irradia, é o primeiro elementos de contato entre ele e as entidades nas comunicações mediúnicas, sendo através deste campo, onde as entidades, ou, espíritos negativos buscam informações e sintonias favoráveis e afins para estabelecerem a comunicação e agir através do médium.

Ana Araújo

Kaô Xangô!



 Orixá Patrono de nosso Terreiro, Pai de nossa família espiritual! Salve o Senhor das Pedreiras!




domingo, 4 de agosto de 2013

Animismo , incorporação e mistificação





Temas sempre bem vindos ao se falar sobre manifestações mediúnicas na Umbanda. O temor creio que da maioria dos médiuns é justamente o fato de “tudo” ser fruto de sua cabeça e imaginação e não uma manifestação genuína de uma entidade. Claro, falo isso dos médiuns sérios e comprometidos com um exercício fiel e honesto de suas faculdades e não aos vaidosos e mal intencionados que tem aos montes por aí. Geralmente estes têm em mente duas coisas; APARECER, OU, GANHAR A VIDA À CUSTA DA FÉ ALHEIA. 




A questão do animismo é um assunto muito vasto, onde podemos ir por vários caminhos, mas a princípio trataremos de sua forma mais simples e mais comum nos terreiros. Guardem este texto, pois trarei mais para frente, um teor mais aprofundado de animismo, e esta matéria, será de grande ajuda para entender o aspecto mais profundo do assunto central. 

O que é animismo?

Em seu aspecto primário, é a manifestação da psique do médium em vez de sua entidade. É quando ele passa a frente da entidade e fala e age como se fosse a entidade. Porém esse processo é inconsciente e o médium não sabe que as palavras ou as ações são dele mesmo e não de sua entidade. 

O que é mistificação?

Diferente do animismo, a mistificação é a ação consciente do médium, que sabe não estar sob influência da entidade, mas age como se estivesse. É o clássico charlatanismo. Pra esses médiuns picaretas eu receito uma dose de cacete baiano pela manhã e outro dose de surra de espada de São Jorge a noite depois da refeição pra ir pra cama com o rabo quente. Talvez a coisa que mais abomino dentro dos segmentos mediúnicos, seja o abuso da fé alheia. Enganar, mentir e usar o nome de uma entidade pra ludibriar os outros, manipular a fim de ganhar algo em troca, seja atenção, respeito, medo, imponência ou dinheiro, é algo vil e sujo que a punição divina, tarde, mas não falha pra esse tipo de gente. 
Muitas pessoas confundem o animismo com a mistificação, mas são coisas distintas. 

Incorporação x psicofonia

Já a incorporação é o processo mediúnico onde a entidade tem domínio do médium e age em seus centros nervosos e motores e tem uma liberdade de ação e “voz” que ultrapassa a vontade e mental do médium. 
Porém o termo incorporação é usado popularmente pra qualquer tipo de mediunidade onde a entidade “fale” através de um médium. Mas existem diferenças nesses processos. Foram criador vários nomes como mediunidade intuitiva, incorporação por intuição, incorporação consciente, etc. Mas para simplificar eu costumo dividir em 2 tipos apenas: a incorporação e a psicofonia. Na psicofonia não há o domínio físico do médium e a manifestação da entidade se dá por um processo mental somente. Esse tipo de mediunismo é o recorrente em casas espíritas, pois o médium precisar estar a frente sempre do espírito comunicante, pois este na maioria das vezes, é de natureza negativa, perturbada e carente de ajuda e orientação. Logo ele não pode ocupar o “comando” de centros físico do médium. Há a proximidade do espírito e o médium capta de seu psicossoma sua energia, natureza e como um diálogo de mente pra mente, o médium transmite o que o espírito está falando para ele. 

Já nos terreiros de Umbanda a natureza dos espíritos comunicantes é outra, e estes agem em nosso corpo através das irradiações para nosso equilíbrio e sintonia mediúnica e espiritual e nosso corpo reage com sensações e movimentos involuntários, já que a entidade vai tomando conta de nossa matéria. Esse acoplamento por assim dizer, não ocorre de um dia para o outro. É claro que o tempo é relativo de pessoa para pessoa, mas se a capacidade existe no “aparelho”, as entidades irão trabalha-la para que esteja tudo em harmonia para que a entidade possa de fato incorporar de fato. 

Porém nem todos os médiuns que estão na Umbanda como médiuns de incorporação, fornece esse tipo de mediunidade, não tendo abertura em sua organização em seu corpo astral e centros de força para estabelecer a incorporação propriamente dita, onde a entidade tem controle e domínio do médium. Ficando muito próximo das manifestações das casas espíritas, com o diferencial grande, onde o médium na Umbanda também pode sentir sensações em seu corpo, perder um pouco da noção de espaço e tempo e confundir com uma incorporação clássica, mas a entidade não tem domínio corporal e a comunicação se dá mentalmente somente sem que haja o acoplamento entre ambos. É como um processo de telepatia; a entidade transmite as mensagens ao mental do médium, e este externa as mensagens. Mas por que é tão parecido com a incorporação? Porque as entidades também agem sobre o corpo espiritual do médium para promover descargas, harmonizações e equilíbrios em seus centros de força (chackras), como também, todo médium seja de incorporação ou psicofônico tem a capacidade de captar a energia dos espíritos que estejam muito próximos de si , seja suas entidades ou do médium do lado. E com o passar do tempo, essa percepção é ampliada e aprimorada e ele consegue distinguir seus guias e de seus irmãos de corrente. Consegue saber se é uma entidade masculina ou feminidade, de que linha é, etc. Como também, ele consegue “ler “ a natureza daquele espírito e pode dessa leitura, imaginar como é tal entidade; se séria, sisuda, ou alegre, risonha, brincalhona, direta, ou é cheia de ternura pra falar, etc. Mesmo que ele não consiga ver a entidade, pela proximidade nós conseguimos perceber essas características que emana naturalmente dos espíritos. E dessa leitura, é que nós formamos a entidade em nosso mental e exteriorizamos comportamentos e formas de falar, trejeitos e posturas. Isso para os psicofônicos. Em ambos os casos, há o transe provocado pela irradiação da entidade e pela força motriz do todo que provoca um estado hipnótico no médium, o conduzindo ao transe, e do transe a manifestação propriamente dita de sua faculdade mediúnica. 

O grande problema do médium psicofônico, ou seja, aquele onde a entidade atua somente através do mental, e do que a entidade diz a ele, é a capacidade DO DISCERNIMENTO, pois nem sempre as mensagens que a entidade transmite, é o que ele entende para repassar. Outro problema é de ordem íntima e psíquica. Nas religiões afro-brasileiras as entidades transmitem e formamos arquétipos de grupos raciais e sociais. E muitos desses tipos “humanos” mexem muito com a vaidade, fantasias, e desejos reprimidos de nós mesmos. Quando um indivíduo está em transe, seu psiquismo e parte espiritual inconsciente ficam muito mais expostos também e aflorado, somando isso a ideia que fazemos de tal entidade e da leitura que fazemos dela, podemos exteriorizar partes nossas, do nosso inconsciente e traços de personalidade reprimida que se identifica com tal “arquétipo”, digamos assim de X entidade. Esse processo pode até fazer parte de uma catarse emocional e psicológica, salutar para o médium, de uma série de repressões em seu íntimo que o transe libera provocando um bem estar íntimo e profundo, paz consigo mesmo, que ele não sabe exatamente o porquê. Porém esse tipo de eventos somente pode ocorrer no início de um desenvolvimento e não existir dentro da vida mediúnica do médium durante todo o seu tempo de labor. É justamente por isso tão importante o desenvolvimento, e não liberar os médiuns em desenvolvimento para consultas sem um aval do guia chefe da casa, ou da análise do dirigente. Mesmo que a entidade fala, dance e tenha desenvoltura e APARENTE firmeza, somente com uma avaliação do conjunto das manifestações daquele médium, e que ele poderá estar apto pra atender o público. Mas muitos médiuns são recebem esse tipo de avaliação e são postos logo para o atendimento e consultas e muitas vezes até, para satisfazer a ansiedade e vontade do médium de ir logo pras consultas. Ai mora o grande perigo! Pois os médiuns psicofônicos precisam e exaustivo treinamento e desenvolvimento para garantir a manifestação do pensar da própria entidade e não somada a suas impressões, julgamentos e ideias. Mas a realidade que percebemos nos terreiros, é um “desleixo” de um bom e capacitado desenvolvimento mediúnico, muitas vezes mal feito e mal conduzido, e dá no que dá.... shows de animismos onde todos são enganados; médiuns e assistentes. Há misturas entre entidade e o próprio médium e este acaba por se atrapalhar em seus próprios pensamentos mesclados da entidade e não sabe o que é seu ou não. O vaidoso e auto suficiente não questiona, pois se acha “o cara” e não pára pra refletir suas ações estando sob a influencia das entidades. Creditam cada palavra e cada ação nelas, ficam fascinados e não ouvem muitas vezes, seu dirigente e as entidades responsáveis por ele, pois não admitem que podem estar errando e precisando de mais desenvolvimento e conselhos dos mais velhos. E mesmo quando a entidade se porta com rebeldia, falta de educação e sem a postura digna de uma entidade de fato, ele dá desculpas e alega que é a casa que não é do agrado da entidade. Será mesmo? Cuidado! Muitas vezes é isso que provoca médiuns a abandonarem casas sérias e buscar a facilidade e casas pouco comprometidas com um sério e comprometido desenvolvimento e manifestações de suas entidades. É o “coloca a roupa e vai pra roda girar”. E daqui a pouco tá atendendo com as entidades e pensa; “tá vendo! Era aquela casa que não reconhecia meus ‘dons’ mediúnicos”. Ledo engano!

Já para os médiuns de incorporação – cada vez mais raros hoje em dia – este problema não é tão recorrente, pois ele oferece a entidade maior domínio e pode assim, agir mais livremente por sua conta sem precisar que o médium seja seu intérprete para o plano exterior. Lembrando que a entidade pode “dosar” a intensidade desse domínio e o faz sempre. Ela pode ir de um nível mais elevado a um nível mais brando, ou se for do seu querer, agir somente através da transmissão de pensamento, como na psicofonia. Já que o controle total do médium demanda muito desgaste par a o médium, e muitas vezes em certos trabalhos, momentos de uma gira não há essa necessidade e as entidades usam de sabedoria e mestria para não desgastar desnecessariamente seu “cavalo”. Vale ressaltar, talvez em negrito, que a consciência (o lembrar e ver tudo por parte do médium estando com a entidade) não está relativo a domínio ou não da entidade. Embora em estados mais profundos de incorporação, pode não haver consciência mediúnica ou parcial, isso não é via de regra. Muitos podem estar sob o domínio da entidade e ver tudo a sua volta, como se estivesse assistindo um filme. 

Uma dica: deixe ser levado literalmente pela entidade. Não pense, não questione, jogue a ansiedade e observação de lado e deixe ser levado nos primeiros sinais de irradiação da entidade. Livre-se do medo e vá! Estando com a entidade, não promova diálogos em sua mente, pois é ai que tudo pode se confundir. A voz da entidade é sempre a primeira, é o ímpeto, a voz rápida e fala de primeira. Não fique buscando respostas e ações das entidades para as pessoas. Muitas vezes, ela não tem nada pra falar e só veio trabalhar energeticamente pra você ou pro ambiente, pro grupo, ou pra alguém. Não se envolva e deixa-a livre para falar ou não. Muitos médiuns na ânsia de se afirmar como médiuns firmes, querem que suas entidades revelem segredos, digam sobre a vida, o passado, presente e futuro das pessoas, e isso é um dos fatores que mais atrapalha. A vaidade de ser um médium bem conceituado, que tem as entidade mais firmes, que ajudam as pessoas, que promovem curas, revelações, estripulias de desafiam as leis da física, é o abismo do médium. É onde ele cai e cai feio. Fica a dica e o alerta. 
Em breve trarei mais sobre esse tema. Espero ter ajudado os iniciantes em desenvolvimento e não confundido mais! Axé!

Ana Araújo

Texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda, Vovó Catarina e está protegido seus diretos autorais.

Convidados a todos para participarem dessa corrente de Cura com as vibrações transformadores de nosso Pai Omulu através do axé dos Pretos Velhos com consultas, descarregos e limpezas com elementos naturais. Será realizada no dia 10/08/13 em Juscelino- Mesquita RJ. Para endereço e contato ligue para o telefone: (21) 85136071. A corrente se encerra no dia 24/08/13 em mesmo horário com a Gira Festiva em Homenagem ao Senhor da Terra! Axé !

O mercado da fé    


Em qualquer segmento religioso ou filosófico, existem produtos voltados para tal religião ou doutrina, desde livros, objetivos de decoração, utensílios, roupas, presentes dentro da temática, ou produtos naturais como favas, sementes, cascas, raízes, etc. É um comércio? Sim, e muitos vezes muito lucrativo. É ilícito religiosamente falando? Não acredito, até porque nas religiões afro-ameríndia, precisamos de símbolos, imagens, ícones representativos que compõe e simbolizam nossa fé, além dos produtos naturais utilizados dentro dos terreiros, como fumos, ervas, raízes, sementes, etc. Quem não quer presentear suas entidades bem bonitas caixas decoradas para guardar seus materiais de trabalho, de um acessório para agradar a entidade? Obvio, que se não tiver nada disso, elas trabalharão do mesmo jeito, com a mesma alegria e boa vontade, pois não estão ali para se importar com roupas caras e vistosas, um lenço assim ou assado, etc. Mas isso faz parte da nossa relação com esses amigos, avós, irmãos, companheiros que tanto aprendemos a amar. O querer agradar e oferecer o que melhor podemos. Assim como no catolicismo existem roupas, blusas, medalhas, e o seu comércio para ostentar a fé de seus adeptos, o budismo também tem, o Hare Khisna, o evangelismo, e por aí vai. Não seríamos diferentes. Acho muito válido, até porque,o que seria de nós sem as lojas de artigos religiosos, onde podemos encontrar “quase tudo” pro nosso trabalho e materiais necessários usados dentro de nossos terreiros. 
Estive semana passada na feira Expo Religião, onde havia vários standes de venda de produtos voltadas para o Candomblé e Umbanda; blusas e abadas dos orixás e entidades, tecidos, enfeites decorativos, objetos de decoração afro e cigano, tudo muito bonito e de bom gosto. Mas aí me deparei um tipo de venda que sou radicalmente contra e é sobre esse tipo de venda que é o bojo desse material.

O que eu quero alertar a vocês é sobre a venda de banhos, defumadores que levam o rótulo de “para prosperidade, para descarrego, defumador de Obará”, etc.... Saquinhos com folhas secas, cascas e outros “bichos” que nem sabemos o que está ali misturado, perfumes de atração; chama homem, chama dinheiro, chama não sei mais o que, banhos engarrafados (esses são absurdos meeeesmo) para todos os fins, kits com materiais para trabalhos pro amor, para dinheiro, etc. Não caiam nessa furada e nem dê seu dinheiro pra essas coisas. Primeiro que magias de atração seja para prosperidade e amor, se faz no terreiro com o auxílio e orientação de uma entidade. Segundo que banho engarrafado já é abusar demais da fé alheia, pois um banho pra ser ministrado numa pessoa se deve saber do que ela precisa, qual sua situação energética para poder passar o banho certo, a dosagem de folhas certas e as folhas que mais combinam com sua energia pessoal. Muitas ervas que são boas pra mim, podem não ser boas para você. Além disso, as ervas devem ser colhidas quando podemos ter essa oportunidade em horário certo, e jamais ser colhidas a noite, além de ter a exigência de estarem frescas. Ervas estragadas, comidas por bichos, colhidas em beira de valão e estradas não servem para consumo, pois estão contaminadas. Além disso, existem ervas que não podem ser maceradas e precisam ser cozidas para o banho, e outras que não podem ser cozidas pois perdem a maioria de suas propriedades. Então um simples banho seja para descarrego ou imantação/energização, é uma ciência, envolve fundamentos que precisam ser receitados para cada um dentro de uma avaliação. Então neófitos, curiosos e simpatizantes; cuidado com o comércio da fé que vendem de tudo, fazem de tudo para ganhar o seu dinheiro e sua fé, dizendo que tal perfume tem tal efeito, que tal defumador tem poder de atrair dinheiro. Mas entendam uma coisa. Você coloca um bom perfume, aquele novo que você comprou na loja de importados para sair à noite, com o corpo sujo e suado? Não, né? Você precisa tomar um banho, tirar o suor do corpo, lavar-se das sujeiras e poeira do dia, para depois colocar aquele perfume que irá atrair a atenção de todos por onde passar. Da mesma forma é a dinâmica dos banhos;, “mirongas” e perfumes de preparo atrativo. Se você está com o corpo astral sujo e contaminado, pesado, cheio de miasmas, acha que irá atrair o que? 
Não caiam no conto do vigário de gastar seu precioso dinheiro comprando essas balelas. Se quer um banho, um defumador, tá se sentindo pesada, ou precisando abrir caminhos, movimentar as energias a sua volta, trazer renovação, prosperidade, novidades? Então vá num terreiro e se consulte com uma entidade de verdade e ela passará o que você precisa e não o que você acha que precisa. Ela fará um diagnóstico de suas condições energéticas e de seu ambiente e lhe orientará com segurança. 
Cuidado com o comércio da fé e suas promessas!

Ana Araújo

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Cambonos – Forças Essenciais do Terreiro 


Percebo que por muitas vezes essa função tão importante não é valorizada pelas pessoas. Já presenciei a seguinte frase dita sobre um Cambono por uma MDS; “ fulano só está aqui para acender charutos e servir café”. Pura ignorância, me desculpe!

O que são os cambonos? Não vamos confundir com as Ekedis de Candomblé pois são coisas diferentes. São adeptos, homens ou mulheres da corrente de um terreiro, que ocupam o papel de auxiliar. Ou seja, são as pessoas que, preferencialmente não são médiuns rodantes, ou ainda não possuem suas faculdades de incorporação afloradas, que prestam apoio as entidades e Zeladores durante as sessões e atividades de uma casa. Os cambonos ajudam a organizar os atendimentos, passes e consultas, são os que podem anotar receitas e trabalhos prescritos pelas entidades aos consulentes. Orientam e tiram dúvidas dos visitantes, caso precisem acerca de alguma prescrição passada. São os que  assessoram a chegada das entidade e partida para que tudo ocorra sem incidentes e estejam junto do médium na chegada de seus guias para viabilizar com eficiência sobre o que eles precisem para se firmar; velas, água, pembas, ervas, fumos, e tudo que a entidade irá precisar para o seu trabalho.

O preparo energético do cambono também deve ser feito, assim como os médiuns rodantes, pois os auxiliares de terreiro, não estão alheios a dinâmica energética que é promovida numa gira. Ele também está ali para doar energias aos seus irmãos, ao terreiro. Energética os cambonos, como não desgastam energias incorporando fazem parte de um grande suporte energético para o trabalho das entidades e ajuda na reposição dos médiuns incorporantes. 

É papel também dos cambomos/ auxiliares, ajudar nos trabalhos mais complexos como sacudimentos, limpezas, etc. Inclusive, pode ser preparado para operá-los com a ajuda do Zelador. Seu aprendizado deve ser igual a todos os outros médiuns, podendo ele a ocupar tarefas em obrigações e limpezas como auxiliar do Zelador. Mas para isso, tanto energeticamente como dotado de conhecimentos sobre o que se está fazendo, deve-se ter.

Muitas coisas de fundamental importância um cambono pode estar se qualificando para estar operando no terreiro em funções internas e durante as giras abertas. É suas funções são de muita responsabilidade e seriedade, por isso deve ser bem preparado para tal.

Uma coisa não muito comum nos Terreiros é o fato dos cambonos não serem desenvolvidos a dar passes por exemplo, ou um auto-passe numa necessidade fora das instancias do seu terreiro. Mas não lhes faltam a capacidade para isso. Em nossa casa, os cambonos também aprendem a canalizar suas energias para terceiros e para si mesmos. Como não tem uma interação mais profunda com suas entidades, ele precisa aprender sobre recursos que o ajudaram a cuidar de seu espírito também e poder ajudar outras pessoas que cruzem seu caminho. Já que criamos filhos para serem independentes e aprenderem sobre auto-conhecimento espiritual e energético, e assim serem capacitados também em ajudar outras pessoas num momento de necessidade. Existem muitos cambonos que por não serem médiuns de incorporação, apenas ocupam funções práticas, mas não “mediúnica”. Mas estas, também podem ser desenvolvidas. Já vimos muitos cambonos, com incríveis capacidades intuitivas e magnéticas de cura, que são colocados de lado, sem aproveitar tais recursos, pois apenas a faculdade de incorporação é valorizada. Achamos isso um equívoco.

O aprendizado de um cambono é longo e requer dedicação e boa vontade, assim como os médiuns incorporantes.   Então vamos valorizar mais a importância desses trabalhadores de nossas casas, que sustentam também nossa gira, doando energias preciosas para que tudo ocorra bem.
Entretanto, salientamos que o ato de cambonar pode também ser feito por qualquer médium que não esteja atuando com sua entidade no caso de necessidade numa gira. É aconselhável eu o médium que é rodante, se precisar, cambone após já ter atuado com sua entidade, para que não seja dispersa a concentração e foco exigidos que precede as incorporações Mas para ter tal responsabilidade como um conjunto de atividades e compromissos é melhor que seja um médium que não incorpore ainda.

Texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda Vovó Catarina. 

O ritual do amaci na Umbanda 

A Umbanda tem seus rituais e cerimônias próprias e conhecer essa ritualística faz com que não  confundamos com rituais de outras religiões, como o candomblé por exemplo, religião que causa mais confusos e misturas com nossas práticas. Até porque muitos zeladores de Umbanda têm suas iniciações no Candomblé e acaba importando rituais muito distintos dessa crença para a Umbanda. Não entremos no mérito de certo ou errado tal mistura, mas entender que existe essas incorporações é importante para entendermos nossa própria crença. Neste texto vamos falar sobre o amaci.

Este é um ritual bem típico da Umbanda que tem o objetivo de fortalecer o médium através da lavagem de sua coroa (cabeça) com sumo de ervas. Essas ervas geralmente são consagradas a Oxalá e específicas para fins de aplicação na cabeça. Porém aos médiuns consagrados a um orixá, pode incluir ervas de seu Orixá. Mas isso varia de casa pra casa. O ritual consiste de evocações, cânticos, podendo incluir oferendas ou não e um período de descanso antes da liberação do médium.

O amaci propriamente dito diz respeito ao preparado de sumo de ervas, mas geralmente a palavra é associada ao ritual em si na Umbanda. Porém em outros segmentos religiosos, pode-se empregar a palavra para referir-se apenas ao sumo das ervas.  Não existe “receita” nem passo a passo do ritual, que isso irá, novamente, depender de terreiro para terreiro e suas raízes e escolas umbandistas. Existem tradições que usam além do sumo de ervas, bebidas votivas aos orixás, como guaraná, sidras, cervejas. Porém nem todos concordam com essas aplicações. E percebe-se que boa parte das casas adota apenas o sumo de folhas sem a presença de bebidas, principalmente as de teor alcoólico.
O amaci pode também estar incluso em obrigações, como parte dos rituais pertinentes de uma coroação por exemplo.

Um alerta sobre ervas: as pessoas autodidatas costumam ler e pesquisar em livros e na net sobre ervas e não é muito raro buscar ervas votivas a orixás e fazer banhos para os mais diversos fins. Isso não é aconselhável. Primeiro que existem ervas expostas nessas relações de internet que não são para banhos, além de ter ervas que não são para serem usadas na cabeça. Não é porque uma erva pertence a Oxalá, a Yemanjá que pode ser ministrada na cabeça para banhos. Fazer amaci para aplicar na coroa alheia, ou em si mesmo, é algo de profundo fundamento que somente pode ser feito por um zelador de Terreiro.

Ana Araújo 


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


As entidades de Umbanda e suas identidades


Passei alguns anos sendo moderadora de comunidade sobre mediunidade e umbanda, e um assunto que sempre surgia era sobre a identidade de entidade A ou B. Pessoas perguntando sobre uma determinada entidade, querendo saber suas cores, roupas, bebidas, formas de trabalho, personalidade e principalmente sua história de vida.
Creio que esse fato se dê pela ocorrência grande que há de livros e “lendas” espalhadas em nosso meio sobre estórias de algumas entidades. Assim como há dos Orixás e divindades africanas. Mas esclarecer alguns pontos, acho de extrema importância. E um deles é a diferença entre mitos dos Orixás e lendas e estórias que ouvidos sobre entidades.
Os mitos que circulam em nosso meio – maioria sobre o panteão yoburá – são ocorrências a serem estudadas no que entendemos como mitologia. São narrações que remetem a construção cultural e social de um povo, assim como suas crenças, cosmogonia, modo de vida e uma relação entre o homem e o divino. Sendo assim o mito é uma forma  ágrafa de repassar para gerações futuras a essência sócio-cultural e espiritual de um determinado grupo étnico. Através dos mitos, adurás (rezas) e orikis (invocações e encantamentos) é que hoje se torna possível organizar um culto religioso as divindades africanistas; base de todo o Candomblé dentro de cada raiz ancestral e no caso, étnica ao que ele se refere, seja ela banta, nagô ou fon. Sei que muitos mitos que circulam hoje foram “criados” contemporaneamente e não correspondem a uma origem legítima da cultura africana. Mas as casas matrizes do culto as divindades, as quais descendem todos os núcleos de candomblé, possuem em seu acervo as itans (mitos) transcritas e estas possuem códigos numéricos que garantem a sua legitimidade.
Já as estórias contadas em livros, revistas e no boca a boca sobre as entidades, tem teor completamente diferente e muitas delas não passam de lendas, invenções, fantasias e divagações. Algumas podemos dizer que tem um caráter real. Porém estas, são histórias de passagens encarnatórias de um espírito que “baixa” sob o nome de Tranca Rua, contou sobre sua individualidade espiritual. Ela não serve para outros Trancas Rua, porque na verdade; Tranca rua diz respeito a um agrupamento imenso de espíritos que se apresentam nos terreiros afro-ameríndios espalhados pelo Brasil, sob mesmo nome. Então podemos entender que Pai Joaquim, Caboclo Tupinambá, Caboclo Treme Terra, Cigana Esmeralda, Maria Mulambo, e todos os nomes representam uma COLETIVIDADE e não uma individualidade. Logo, se um Pai Joaquim chega num terreiro e quer relatar sua história de vida, isso diz respeito exclusivamente aquele espírito em particular e a mais nenhum outro, mesmo que use o mesmo nome. Quantas Denises temos no mundo? Muitas. Quantas Denises da Silva Sousa? Muitas também! Mas se eu pegar uma Denise da Silva Sousa e pedir pra ela contar sobre sua trajetória de vida, seu jeito de ser, ela passa a ser única entre as demais Denises da Silva Sousa que existem no mundo. Da mesma forma é um espírito que baixa sob o nome de Maria Conga e fala sobre a trajetória de vida que teve quando encarnada. Não podemos pegar esses acontecimentos e atribuir a mais nenhuma outra Maria Conga e a mais nenhum outro espírito no mundo. Pois cada ser é único e mantém sua individualidade, mesmo após sua passagem para o plano espiritual. 

                                                                               Ana Araújo