Terreiro de Umbanda Vovó Catarina

Terreiro de Umbanda Vovó Catarina
Terreiro de Umbanda Vovó Catarina

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Terreiro de Umbanda Vovó Catarina, agradece a todos que contribuíram seja com valores financeiros, trabalho, doações, amor e boa vontade para que a Gira Festiva aos Pretos Velhos e Aniversário de nossa casa, tenha sido linda, cheia de axé e vibrações positivas. Obrigada a todos os Filhos de Terreiro, a toda nossa família espiritual, ao TUEV - Pai Mauro e suas filhas que estiveram conosco nesse dia tão importante para nossa casa. 

Obrigada! 

Saravá a todos os Pretos Velhos, Saravá Vovó Catarina!



terça-feira, 20 de março de 2012

 


A casa do Barão

-Não chore!”Dizia Preta Zica,ao escravo João preso pelo capataz por ter sido pego tomando o leite que acabara de ser tirado da vaca que pertencia ao Barão..
João havia sido preso a um elo de aço,entre tantos outros negros escravos que ficavam sob a Casa do Barão de Águas Claras.
A maioria dos casarões da Corte Imperial situados a Rua Koeler ,eram de pessoas da Alta sociedade e amigos de D.Pedro II,esses,trancafiavam seus escravos,sob os imponentes casarões,sendo por um alçapão,a única forma de se chegar até a “Senzala improvisada” que ficava sob o assoalho das casas dos Senhores de Escravos,não havendo assim,possibilidade de fuga.
-Um dia,eu hei de me vingar,e colocar esses brancos malditos,presos aqui,onde me encontro hoje!!Nesse dia,eles sentirão na pele e pagarão seitil por seitil o que fazem com todos nós!Dizia o escravo João,inconformado por ter sido preso tentando saciar a sua fome.
-Fio,não devemos ter sentimentos de ódio...que seja feita a vontade do Senhor...tenhamos fé!Dizia Preta Zica.
O inverno rigoroso da Cidade Imperial,fazia com que muitos negros,que se encontravam presos pelas mais variadas formas pelo capataz do Barão,acabassem por adoecer,outras vezes até morrer devido as condições precárias de vida a que eram impostos,padecendo de males como a pneumonia..
Em uma noite de chuva ,o Barão precisou que seu capataz se ausentasse do Casarão a fim de levar uma encomenda urgente a 20 quilômetros dali,ficando assim,sozinho na casa.
Decorridos,algumas horas,ele ouvira ruídos,murmurinhos e risadas que vinham da parte inferior da casa,e,vendo que se tratava dos escravos,desceu até a “senzala” pra calar a boca dos escravos insolentes.Mas,chegando a parte debaixo,ele fora surpreendido por outros negros que o pegaram e rapidamente o colocaram preso ao lado do escravo João que ria da situação.
-Seus insolentes!Quando o capataz voltar,vocês pagarão com a vida!!
E,antes que o Barão tivesse tempo de dizer outra frase,eles pegaram um copo de vinho com veneno e fizeram o Barão beber,vindo este a falecer em questão de minutos.
Nem todos os escravos que ali estavam,conseguiram fugir,pois os mais debilitados sabiam que não conseguiram ir longe,então decidiram por ficar e sorver da bebida letal,pois eles sabiam que não sobreviveriam quando o capataz retornasse ao Casarão.
Passados muitos invernos desde aquela triste noite ,e chegando nos dias atuais,veremos Pai Carlos,renomado Pai de Santo do Terreiro Luz Divina e mais doze médiuns,indo até um Casarão para fazer uma limpeza espiritual ,a pedido de um casal atemorizado por espíritos em sua residência.
-Muito bem!Todos estão prontos para o início dos trabalhos?
-Espere!Que barulhos são esses  vindos do assoalho da casa?Perguntou Antônio ao Casal que de pronto respondeu:
-Isso é pouco!Acho,que deveriam ir lá embaixo onde era a “zenzala”,antes de começarem qualquer coisa.
Ao que Pai Carlos autorizou,Antônio,um dos médiuns mais antigos,desceu juntamente com outros dois médiuns para tentar descobrir o que se passava lá embaixo.
Antônio,nunca sentira vibração como aquela,o chão de terra batida,mostrava traços de escravidão,com correntes enferrujadas,algumas poucas presas ainda a parede,e,em um canto uma coisa parecida com uma gaiola onde provavelmente ficavam os escravos quando eram castigados pelos seus senhores.
Vinham a mente de Antônio,perturbações de diversas formas,escravos sendo açoitados e presos nas gaiolas até padecerem,mulheres negras pedindo água,muito choro,palavras de ódio,pedidos de vingança,visões distorcidas que o fez pedir ajuda de Pai Carlos..
Pai Carlos desceu até Antônio e depois de uma prece,ao que Antônio se sentiu melhor,Pai Carlos começos os trabalhos daquela noite ali mesmo sob os olhos surpresos de todos.
O Preto-Velho de Antônio,foi para a parte superior da casa,afim de acender 7 velas em um local específico para o bom andamento dos trabalhos,e,ao que acendeu a última vela,veio uma ventania que apagou todas as velas ao mesmo tempo.
O Preto-Velho olhou para frente e avistou um homem de meia idade,branco,e que parecia xingar alguém  andando rápido como se estivesse a procura de algo ou alguém,sem nem perceber o Preto-Velho que ali estava...
-É......sussurrou o Preto-Velho...
Voltando a parte debaixo do casarão,os Pretos-Velhos que estavam fazendo a limpeza da Casa,terminaram seus trabalhos,e,o Preto-Velho de comando,disse aos médiuns que mantivessem os pensamentos elevados,pois havia escravos ali que,por terem tirado a própria vida antes da hora,ainda se encontravam presos naquele lugar e mais ainda, o espírito de um Senhor que parecia ser o dono da casa que não aceitava a situação em que se encontrava,vagava e precisava de muita oração,pois ele acreditava que se deixasse a casa,os escravos tomariam o lugar que era dele.E assim se passou uma longa noite de trabalhos espirituais a fim de findar ou pelo menos amenizar a situação em que se encontrava o casarão.
Mesmo com a ajuda de treze médiuns naquela noite na Casa do Barão,os Donos decidiram por vender a propriedade para uma rede de hotéis,pois ficaram impressionados com tudo o que passaram desde o primeiro dia que pra lá se mudaram.O casarão passou por reformas e  hoje recebe  turistas de todo canto do País e do Mundo.
....vocês devem estar se perguntando:E quanto ao Barão?A zenzala ??Os escravos??
Bem,dizem os empregados que lá trabalham,que às vezes ouvem murmúrios que parecem vir da parte debaixo da casa  e passos largos no cômodo onde dormia o Barão de Águas Claras.....
Fernanda Mesquita

sexta-feira, 2 de março de 2012

Caminhos diferentes


Um Conto De Fernanda Mesquita


-Não consigo caminhar mais...minhas pernas estão dormentes-Gemia Nega Maria enquanto Véio Felício tentava sem sucesso puxar pelos braços a escrava fugida.
-Estamos perto do Quilombo...falta pouco-Dizia Nêgo Felício que,tentava animar aquela senhora de traços cansados e visivelmente abatida.
Ainda faltavam algumas horas até chegar ao Quilombo,o caminho era de difícil acesso,com atalhos falsos para confundir os empregados das fazendas que eram encarregados de caçar os escravos fujões no meio das matas.
Com um certo esforço...a velha se levantou,e com a ajuda de Felício se puseram a caminhar novamente,mas,sabiam que não podiam ir devagar demais porque o capataz da fazenda poderia estar no encalço dos 7 negros que conseguiram fugir da fazenda Sesmaria naquela madrugada..O que eles não se deram conta é que, devido a parada da Nega Véia os dois ficaram pra trás,e,com isso poderiam errar o caminho para se chegar ao Quilombo...
No fim do dia,cansados,pararam na beira de um riacho para se refrescarem e encontraram um jovem escravo que estava muito assustado e,muito machucado...talvez por chibatadas,pois das marcas das costas dele saía um odor fétido e pruridos amarelados um sinal claro de infecção,e,com todo aquele sol batendo nas costas do negro,só fizeram piorar a situação dele...
-Fujam!-Dizia o jovem.
-Eles estão chegando e não demoram!
-Eles quem meu fio?Perguntava Felício já assustado com a resposta que ele já sabia.
-Tem um capataz à cavalo com alguns empregados da fazenda Sesmaria,procurando por escravos que fugiram da fazenda esta madrugada...e agora eu, que já estava no caminho do Quilombo, tive que recuar e esperar que eles voltem para não acharem o caminho de lá!
-É meu Nego..dizia Maria..eu não agüentarei correr,acho melhor ficar e esperar que me peguem,vão vocês e me deixem aqui.
-Não!-Disse Felício  em tom firme.Não te abandonarei aqui pra que esses imundos a peguem e a açoitem!Porque você sabe que não irão matá-la de pronto! Farão você sofrer no tronco, até que agonize..como fizeram com minha irmã querida..a deixarão no tronco debaixo do sol escaldante sem água,com as chagas abertas e agonizante até o fim derradeiro.Não desejo que aconteça o mesmo com você!
O jovem vendo a tristeza estampada no rosto de ambos, teve uma idéia.
-Vamos até as pedras do outro lado do riacho, lá tem uma gruta, é pequena mais cabem vocês dois! Fiquem quietos lá até a noite chegar, vou mostrar pra vocês o caminho certo pro Quilombo, distrairei o capataz pro outro lado da mata, sou jovem,astuto corro bem,mas não saiam até a lua estar alta,ok?Sigam o caminho e andem o mais rápido que puderem, depois eu vou atrás de vocês..chegarei em seguida.
E  assim fizeram os  velhos escravos,cansados,com fome...não tinham outra alternativa senão concordar com o jovem que parecia tão certo de si.Se despediram e o jovem disse ao Nego Felício:
-Se por acaso eu não chegar, procure por Pai Antero e diga que Eu Antônio,consegui o meu intento que era,só retornar ao Quilombo depois de  dar cabo a vida do Escravo delator,que tirou a vida de sua filha mais nova.Que se Eu morrer ou for pego,não me importo mais,cumpri o que prometi a ele e a mim!
Véia Maria, chorando muito o abraçou e disse: Que Nosso Pai Maior te acompanhe meu fio!
Passado alguns minutos, os velhos ouviram o capataz gritando:
-Olhem!Lá vai o escravo fujão! Peguem ele!
O Jovem Antônio corria velozmente, muito astuto, conseguiu correr bem, mas, o seu erro foi achar a linha férrea e tentar seguir por ela pra não se perder..Do outro lado da linha vinha o  capataz de outra fazenda juntamente com seu Senhor,e,avistando o negro,correram à pé atrás dele,pois viram que o negro havia entrado em uma cabana de grãos para tentar se esconder.
Antônio se escondeu dentro de um saco de grão não muito cheio que ficava atrás dos sacos maiores da frente e ficou imóvel olhando entre os furos do saco o capataz retirar um facão e sair furando saco por saco à procura do escravo fujão.
Subitamente, o capataz parou em frente ao saco que estava na frente do negro , este, já sabendo de seu fim derradeiro fechou os olhos e esperou...
Com um só golpe, o capataz enfiou o facão no saco de grãos , acertando em cheio o peito do Jovem negro ,que nem teve tempo de se defender..seu sangue se misturava aos grãos de milho e assim terminava a saga do Jovem escravo  Antônio que,morrera sabendo que sua missão havia sido cumprida.
Quanto a Maria e Felício, bem, esses, chegaram ao Quilombo ao amanhecer  e foram recebidos por Pai Antero que sentira uma tristeza profunda depois que Felício dera o recado...ele sentia que Antonio  companheiro  de sua falecida filha querida ,não voltaria mais...Antero o tinha como um filho querido.
Pai Antero pegou o pequeno neto no colo, o beijou na fronte e sussurrou:
-Seu Pai e sua Mãe agora estão juntos e olham por nós agora. Cuidarei de você até o fim de meus dias..
Fernanda Mesquita

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Umbanda e seu significado pelo Terreiro de Vovó Catarina



Você já parou para pensar o porquê de estar na Umbanda e não no evangelismo, catolicismo, espiritismo, budismo?

Para entender melhor isso, dentro do que nossa casa ensina, você precisa ir buscar um entender nas próprias identidades das entidades de Umbanda; Caboclos, negros Africanos, Crianças, Sertanejos, Ciganos, espíritos como Exus que trazem muito da magia ocidental européia, etc.

Existe um porque de cada entidade se identificar de uma forma, dentro de uma generalidade sempre sócio-cultural e/ou racial. E as respostas não estão em roupagem fluídica e disfarces espirituais de vestes X que o espírito usa quando quer, trocando conforme deseja para passar “mensagens” morais e filosóficas com elas. Mas por que?

Muitos espíritas alegam que seja pelo fato da entidade/espírito ser atrasado e preso ainda as vestes de sua encarnação passada.  Mas pergunto: por um acaso, um espírito que se manifesta numa sessão espírita para aconselhamento dos adeptos e diz ser Padre João Antunes, também não está usando uma identidade encarnatória? Ou este espírito nunca teve outras existências e somente foi um padre, um homem chamado João Antunes? Claro que não. Ele pode ter sido um médico alemão, um soldado da primeira guerra mundial, um sapateiro judeu, um comerciante árabe, um aborígene australiano, etc. Mas porque se manifesta como João Antunes? Porque possivelmente está foi sua última encarnação ou possível a mais adequada a usar para cumprir seu trabalho junto ao nosso plano carnal. Poderíamos dizer que ele é atrasado porque é apegado a tal encarnação? Não.

Da mesma forma se processa com as entidades sejam de Umbanda, Jurema, encantaria, etc. Porém há grandes e viscerais diferenças que aí sim, separa uma doutrina de outra, fazendo com que sejam de naturezas completamente distintas; a questão da manifestação de grupos de espíritos sob um nome coletivo e uma relação ancestral com cada adepto e fluxo energético invocado e manipulado nessas religiões, pois todas elas, tem duplo caráter: natural (dos elementos da natureza) e espiritual (dos espíritos, incluindo os dos próprios adeptos).

Ao contrário do que muitos podem pensar, as entidades que se manifestam como caboclos, pretos velhos, boiadeiros, ciganos, etc. não são ignorantes e sabem perfeitamente de sua condição, de seu caráter espiritual e se reconhecem como espíritos possuídos de “muitas outras existências”. Já passaram do período de “perturbação pós- morten” e  apresentam-se assim,  por sua vontade de estar sob uma identidade de uma encarnação que, onde está ligada a seus descendentes familiares comuns aqui encarnados e estão ao seu auxílio e orientação.

Dentro desse panorama podemos entender que a Umbanda é um culto aos antepassados de múltiplas naturezas: a individual; onde a relação é entre adepto e suas entidades que se manifestam através de sua mediunidade, estabelecendo  grupos familiares distintos, dentre outros adeptos e suas entidades também. Cada um pode trazer referências antepassadas diferentes e daí talvez possamos vislumbrar porque muitos Pretos velhos trazem em seus nomes, referências a locais africanos como: Congo, Guiné, Cambida, Mina, etc.

Mas assim como temos um caráter individual, temos também um caráter coletivo – espíritos ancestrais que trazem a sabedoria e ciência natural medicinal para a natureza do corpo que reveste nosso espírito. Como também uma reverência ao “espírito alma” de toda consciência antepassada que através da interatividade entre vários povos e inteligências, foram construindo o que hoje é o nosso lar, nosso mundo e toda a tecnologia, ferramentas e condições de melhoria de vida do homem na terra, contribuindo enormemente com o progresso de toda a humanidade. E nós, como almas velhas e também antepassadas de nossa terra, não estamos alheios a tudo isso. Fazemos parte dessa construção e quando cantamos, louvamos e referenciamos  aos antepassados africanos, aos índios, mestiços, estamos também relembrando o que fomos, o que também somos nós, em outros estados de consciências e sabedoria secular. A Umbanda por si só, tem todo um caráter de culto e louvor, de integração com a natureza do meio ambiente, da natureza de nosso ser, em ressonância com nossa família ancestral.

O dia a dia de um Terreiro de Umbanda é FAMILIAR.

Todo o cotidiano de uma casa de Umbanda, assim como de Candomblé, é de cunho irretocavelmente FAMILIAR. A casa é mantida por todos e tudo é partilhado, dividido. Cada um sabe o seu papel e função dentro do grupo. Há sempre um “pai” ou mãe” daquela família que cuida dos filhos, sabe observar o que cada um tem de melhor e valorizar isso. Assim como sabe de suas limitações e tenta conduzi-lo para a superação e aprimoramento, respeitando os limites da natureza íntima de cada um. O objetivo primordial de uma família Umbandista, é estabelecer muito bem claro que ali há uma FAMÍLIA , em toda a concepção que essa palavra representa. E essa família tem duas naturezas; carnal e espiritual. A espiritual ajuda a unir os parentes encarnados e os guiam para o melhor ao nosso próprio caminhar encarnatório, para o grupo e para a humanidade, quando o grupo familiar está preparado para isso.  

E o atendimento prestado aos necessitados que batem a porta da Umbanda tem grande valor. Primeiro que é o grande aprendizado para o médium, e todos os adeptos da casa. E segundo; não vamos esquecer que semelhante atrai semelhante. Podemos cruzar pelos terreiros, e suas giras de atendimentos por muitos irmãos de outrora, que  atraímos para nós ou fomos atraídos, para ajudar a seguir adiante, pois como velhos conhecidos, sabemos mesmo que no inconsciente de suas necessidades.

Muitas pessoas vagam como almas moribundas e desorientadas, aqui e ali. Buscam soluções milagrosas aos seus problemas do dia a dia, querem ser ouvidas, compreendidas, afagadas. E muitos outros querem fazer da Umbanda e dos espíritos que ali trabalham como prestadores de serviços. E as causas são 90 por cento das mais egoístas e materialistas.  Essas pessoas não despertaram para a importância espiritual e estão iludidas com o senso comum de séculos de preconceito contra as religiões de matrizes afro-brasileira, as tratando quem sabe, como os velhos senhorios que usavam as negras escravas para satisfazer suas vontades apenas e as deixavam como um objetivo de uso e descartável. Quando precisarem de novo, saberão onde buscar. Assim se comportam muitos e muitos que batem a porta dos terreiros. E lhes pergunto: você acha coerente: anos de dedicação, amor, abnegação ou limitações de várias coisas para se dedicar de corpo e alma a uma religião cujo único objetivo é curar a dor de barriga e vontades mesquinhas, vaidosas ou egoístas do maior percentual das pessoas que procuram os terreiros? Será que é pra isso que as entidades “baixam”? Para falar sobre futilidades; se fulano passará na prova, se cicrano está no curso certo, se deve casar, se o marido está traindo, se o bebê é menina, se o namorado voltará, como prender o amado, e pasmem; nesse tempo de mediunidade, até pedido para ajudar a ganhar na mega sena já presenciei. Nós estamos no terreiro para isso? Nossas entidades estariam? Elas atendem as pessoas conforme suas necessidades e não conforme elas querem. Por muitas vezes, tais diálogos do cotidiano servem como “pano de fundo” e através dele, vem tantas palavras e ensinamentos subliminares, mas que muitos ainda não tem capacidade de absorver, tão envolvido no imediatismo de sua própria vida materialista. Mas será que toda a dinâmica de interação entre médium, entidade, terreiro é algo muito mais profundo que isso,  e a relação que para muitos é o objetivo primordial da Umbanda, que é a relação entidade-visitante é, na verdade,  uma conseqüência de um processo muito mais íntimo entre adeptos e os mentores espirituais?

Entendam: muitos passarão pela Casa da Vovó Catarina, pela casa do Caboclo Sucuri, pelos Terreiros de Umbanda a fora, e muitos pegarão ou não algum ensinamento se tiver abertura para isso. E não irão voltar mais. Por que? Por duas pequenas razões: ali não é sua família espiritual, ou se é, ele ainda não está preparado para ver, enxergar e abraçar seus velhos irmãos, pais, avós, tios. Muitas e muitas voltas a vida pode dar, para anos ou décadas mais tarde, se estar quem sabe, pronto para estar no meio de sua família novamente. Ou então, sua família não está na nossa raiz, mas no budismo, no taoísmo, no catolicismo, evangelismo. Todas as religiões são raízes que nos conduzem aos troncos de registros mentais, que umas, mais que outras, estão em comunhão com o nosso atual estado mental-espiritual. E por isso, todas são maravilhosas. E quando você encontra sua família, como a sua vida se enche de alegria, de paz e contentamento. Eu encontrei a minha e isso preencheu e modificou minha vida e meu ser de forma sublime, e sei que ainda o modificará, pois muitas maravilhas ainda será despertada no seio de meus familiares ancestrais. Aqui é minha casa, é onde está minha alma, minha paz, minha alegria, minha força e entusiasmo de vida. E quando você encontrar sua casa, sua família, seus irmãos, pais, mães, avós, terá orgulho de dizer o que é, a qual família pertence, e o nome que ela tem. Da mesma forma que temos orgulho de dizer que somos filhos carnais de “João da Silva”, de “Maria de Sousa”, sentiremos orgulho também e não esconderemos que nossa família se chama Umbanda, que sua casa é X, que aquele Beltrano é seu Pai espiritual, que aquela é sua Irmã de fé. Mas enquanto não assumirmos verdadeiramente para nós primeiramente e para outros, o que somos espiritualmente falando, dentro de nós ainda está faltando a certeza de que ali está o seu amor, a sua alma, e que seu ser está entre parentes, entre irmãos, unidos pelo amor comum, pelo tronco familiar comum para trilharmos juntos essa grande aventura e fantástica viagem chamada VIDA. Este núcleo nos ajuda a nos compreendermos melhor, a entender o meio e nossa relação com ele. Ajuda-nos a harmonizar, a nos equilibrar e nos acolhe a alma para partilharmos momentos de vitórias, alegrias, e nos animar nos momentos de dificuldades e obstáculos. E ao contrário do que a maioria de fora (e diga-se de passagem, muitos de dentro também infelizmente) entende e quer fazer de nossa crença, um balcão de milagres e trabalhos de magia. Procuram a Umbanda para consultar as entidades e dirigentes espirituais para fazerem trabalhinhos para isso e aquilo, para o amor, para conseguir uma vaga acima da sua, para arrumar emprego, para passar numa prova, para tirar alguém de suas vidas, um rival, etc. Mas não esqueçam que a Umbanda é uma religião tal qual as outras; existem para nos conduzir ao equilíbrio e harmonia interior, a encontrar o sagrado divino dentro de nós e no plano invisível. Mas infelizmente muitos entendem que cuidar do espírito e “buscar a Deus” é na Igreja e na Umbanda você vai quando tiver precisando de um trabalhinho ou saber de alguma coisa. Na maioria das vezes, de caráter fútil e corriqueiro. E enquanto nós Umbandistas alimentarmos esse tipo de comportamento e não esclarecermos ou procurar promover uma “reeducação”, esse panorama não irá mudar. Mas irmãos, não nos esqueçamos que, a reeducação precisa começar de dentro para fora. Não adianta nada lutarmos em prol de movimentos contra intolerância, aceitação, se nós que somos “o movimento de umbanda”, continuarmos com visões, comportamentos e idéias distorcidas sobre nossas práticas e filosofia espiritual.

Não esqueçam que um Terreiro de Umbanda é um núcleo de irmãos, familiar nunca. E não um local onde você vai periodicamente "se tratar" porque assim "o orixá, o Exu X pediu e orientou. Não é local para simplesmente ir para tratar sua mediunidade porque não tem outro jeito e estão cobrando isso de você.  Uma das bases filosóficas de nossa casa e de visceral importancia para nossa guia chefe, é justamente dar a liberdade de escolha para aqueles que ingressarem como adeptos de nossa casa, o faça por amor e afinidade com a religião e filosofia que nossa casa comunga. E não por obrigação e cobranças espirituais, seja de que ordem for. E a relação é superficial, até porque o indivíduo vai a contra gosto, porque se sente pressionado e acuado para ir, pois caso contrario entende que sua vida "irá dar pra trás e as doenças irão se instalar". E aquela pessoa não se integrará como membro de uma familia e sim, como visitante.

Mas deixemos esse assunto pra ser tratado com maior esmero em outra oportunidade. Voltando ao assunto: família, deixe-me perguntar:
E você? Já encontrou sua família e a assumiu pra si e para os que lhe são queridos? Pense, reflita, ouço o seu coração e ele te dirá. Por isso é tão importante não ter vergonha de ser o que é, o que pratica, pois se as pessoas ao seu redor lhe amam, mas amam de verdade, irão respeitá-lo pelas suas escolhas do que lhe faz feliz, do que lhe dá alegria e paz. Mas se esse reconhecimento não chegou e você ainda tem medo, vergonha, e não sabe exatamente o que dizer quando lhe perguntam sua religião, crença, algo dentro de você precisa ser Reconheça a sua família espiritual, se entregue a ela, e sinta a retribuição em amor e semelhança. E o resto acontecerá naturalmente, quando esse sentimento que você tem ai, quando essa memória que você tem adormecida despertar, você verá como é bom dizer: sou Umbandista por amor e para o amor dos meus antepassados, dos meus semelhantes, e de mim como ser antigo vivente no mundo.  E quando este dia chegar, não importa se você é médium incorporativo, ou é se assistente de terreiro.  Você de fato e sem reservas entendeu o significado da Umbanda em sua vida, em muitas vidas, em nossa terra.   Porque ela, assim como muitas outras religiões e cultos, somente existe por uma coisa chamada tronco e memória ancestral que está em mim, em você e no espírito que baixa num terreiro dizendo se chamar Tupinambá. Até porque, se o povo africano não tivesse vindo para o Brasil, os nativos da terra, não fossem os índios, e nossos colonizadores não fossem portugueses, seríamos um povo de cara diferente, costumes e crenças diferentes. E pense se existiria a Umbanda como ela se manifesta hoje em nosso país. Porque a religião está interligada a formação de determinado povo, e por isso mesmo, é parte do estudo dos povos nas faculdades de ciências humanas. Não pensem que as religiões são puramente “transcendentais”, desvinculadas de nossas crenças e formação cultural como gente, cidadãos de determinada região. O meio influencia o todo e as religiões são expressão também dessa formação humana que começou a ser montada a muitos e muitos séculos atrás e por isso mesmo, tem seu caráter ancestral. Eu tenho orgulho de dizer: “sou afro-ameríndia, sou parte de todos os elementos, parte do criador, parte de ti, e você é parte de mim! Axé, Adupé, Saravá, Namastê, Shalon, Amém.
Ana Araújo


Somos um universo inteiro de inteligências, consciências, histórias, pois somos espíritos livres, e imortais. E quando todas as religiões do mundo acabar, quando o nosso próprio mundo acabar, ainda sim, existiremos e o que nos re- unirá, será justamente a nossa memória ancestral, e, é exatamente isso que nos dá e dará identidade e individualidade no meio de milhares e milhares de centelhas disformes de luz radiante. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Oferendas recicláveis já!!!



Esta imagem foi tirada de uma obrigação colocada na mata da Cachoeira de Mesquita, no bairro da Coréia, no parque Ecológico, também conhecido como Gleba, numa cidade da baixada fluminense do Rio de Janeiro. O que tinha de elementos sagrados votivos aos Orixás, já foi dissolvido a muito tempo, cumprindo o seu intento. Mas os materiais não perecíveis permanecem. Ficarão por anos e anos. Como está, estão servindo de depósito para a proliferação de larvas do mosquito da dengue, que prejudica a todo comunidade. Com o tempo, será quebrado e seus cacos e destroços ficarão na natureza por décadas, séculos. Mulambos, copos e garrafas plásticas, pratos de cerâmica, barro, gamelas. Além da questão ambiental, ainda deixa um aspecto horrível, sujo e feio no lar sagrado dos nossos Orixás. Um espaço tão lindo; todo sujo, depredado e depósito literalmente dos restos e lixos de obrigações e despachos de toda ordem. Encontramos lá, restos de tambores, caixas de ovos jogadas no mato, pratos descartáveis, guias arrebentadas, sacolas e mais sacolas de plástico, cacos de imagens, mulambos rasgados, garrafas pets, quartinhas quebradas, bacias de ágata, tijelas de louças, alguidares, cartuchos vazios de pólvora, caixas de fósforos, restos de velas e suas caixas vazias,( porque quem usou foi incapaz de levar num saquinho para colocar e levar consigo o seu próprio lixo), roupas de santo, pentes, um número absurdo de cacos de vidros proveniente de garrafas quebradas, taças e copos de vidros, embalagens de biscoitos, travessas de louça quebradas... poderia passar o dia aqui inumerando os absurdos encontrados lá. Lixos das pessoas que não tem um mínino de respeito pela natureza, e sequer se preocupam de levar um saco para levar embora o que foi usado lá, como copos descartáveis, caixas de ovos, garrafas pets, etc.    Quando afinal as pessoas dos cultos afro-ameríndio descendentes irão tomar consciência de que ESTÃO SUJANDO E PROFANANDO O LOCAL SAGRADO DOS ORIXÁS QUE E A PRÓPRIA NATUREZA VIVA MANIFESTADA?



 Que contrasenso é esse? Que contradição é essa? Como posso cultuar as forças da natureza; Oxum a senhora da cachoeira, Oxossi o Caçador das matas, se vou lá e deixo tudo que é tipo de imundice em suas casas?



É triste, revoltante e vergonhoso. Quando fomos fazer nossa obrigação nessa cachoeira, e estávamos subindo com os balaios, outras pessoas, moradores das redondezas,  nos olhavam com olhares de reprovação. Pensei comigo. "eu também olharia e pensaria "lá vem os "macumbeiros" pra sujar e deixar seus restos de macumba pros outros limparem". Bom, por um grupo que age errado, todos pagam e levam a fama.

Nossa casa não compactua com irmãos de religião que assim agem, e faremos tudo o que for de nosso alcance para unir forças para mudar esse comportamento que ainda é a maioria da cabeça das pessoas de nossa fé. Se você também pensa dessa mesma forma, una-se a grupos de lutam para levar unsa conscientização a essas pessoas. Muitos apenas repetem o que aprenderam com seus mais velhas e reproduzem, sem pensar ou refletir no que estão fazendo. Colocam oferendas em louças, tacas, garrafas de vidro, como se as entidade e Orixás fossem se servir em tais utensílios. Por favor, vamos clamar pelo velho e bom senso. As entidades e Orixás não se servem desses materiais e apenas solvem o que for igualmente natural. Usem folhas para as obrigações, e outros materiais como cascas de coco para bebidas. Levem tudo o que foi usado; sacolas, copos, garrafas, com vocês para jogarem fora no lugar correto: UMA LIXEIRA. Mas não faça mais as matas, as cachoeira de sua lixeira. Nos apelamos, pedidos, sublicamos ! Já passou da hora desse comportamento ser abolido de vez de nossas práticas e rituais. Pense, reflita, abra os olhos e mude. Levante também essa bandeira, porque é propagando uma ideia, que ela ganha força e muda costumes e comportamentos sociais que estejam prejudicando individual e coletivamente.

Os Orixás agradecem, os Caboclos, Exus, Pretos Velhos, Crianças, o toda a natureza também agradece.

Vamos unir forças, usar nosso poder da palavra para que cada vez mais as pessoas se tomem consciência do mal que fazem ao meio ambiente e a fé que professamos. Vamos trabalhar pra que nossas cachoeiras e matas fiquem assim:





E para que nossas oferendas aos Orixás divinos sejam feitas como pede o meio natural que cultuamos:


Usem a vela, a magia do fogo enquanto está sendo feita as invocações. Depois não precisa deixar ela ali, leve com você. Orixá já é Luz. Utilize a energia do fogo e após usar, não tem porque deixar a vela na mata, sujando tudo. 


Nós convidamos você a fazer parte também desse movimento e nos ajude a conscientizar para que todos nós façamos nossas oferendas " ecologicamente corretas e totalmente recicláveis pela própria natureza".

Axé!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


Índios, Caboclos, Mestiços ou Médicos Astralinos?




Não temos como desassociar ao falar de nossos Caboclos, com a raça indígena, nativa de nossa terra.
Durante alguns anos de prática Umbandista, muitos foram os movimentos que se esforçaram, talvez veladamente, em camuflar os espíritos de descendentes ameríndios, com pseudo-identidades longe de tal legado; médicos, homeopatas do século dezenove, padres, espíritos vindo de outros planetas de um nível muito aquém das almas terrenas. Sem entrarmos no medito de certo ou errado, afinal não somos senhores da Verdade, mas apenas da nossa forma peculiar de entender sobre assunto de tamanha importância.
Quem seria somos Caboclos? Nossa casa detém a crença de que foram espíritos que estiveram em contato direito com a cultura indígena. Ao estarmos louvando, cantando, dançando para estes espíritos, estamos fazendo uma viagem no tempo, reverenciando os antepassados de nossa terra, nossos familiares antepassados e toda a sabedoria ancestral que há por trás de séculos e séculos de construção cultural e espiritual, que embora massacrada pelo poderio de nossos colonizadores, se permanecem intactas dentro das mentes e consciências daqueles que fizeram parte dessa história humana.
         Quando invocamos nossos caboclos estão buscando pra junto de nós séculos de uma sabedoria que o tempo humano esqueceu e deixou para trás, mas na consciência coletiva espiritual não. Então louvar a Caboclos é louvar todo um povo e seus descendentes, é louvar a nós mesmos. Pois haver que como espíritos antigos que fomos, nunca vivemos dentro da sociedade ameríndia é um tanto ingênuo de nossa parte.
         O modo de vida tribal já foi de todos os nossos antepassados comuns, sejam na África – berço de nossa atual civilização- seja nas Américas, seja nas Oceania. Desse modo, a Umbanda além de tantas outras coisas, não deixa de ser um culto aos antepassados de nossa terra, a nós mesmos em tempos pretéritos.      
Quando os Negros chegaram no Brasil, numa terra estranha, diferente e distante de seu lar, a ajuda e interação com os índios, foi visceral para que pudesse ser estrutura formas e elementos sagrados e litúrgicos para que se pudesse promover a adaptação de folhas, frutas, grãos, sementes, já que no Brasil não poderia oferecer os mesmos recursos naturais. Foi através da sabedoria dos donos da terra, que os Africanos, conseguiram de forma eficaz, estabelecer associações e substituir elementos por outros de similar padrão vibracional. Então essa contribuição foi fundamental para que o Candomblé existisse hoje com todos os seus fundamentos. A sabedoria indígena foi fundamental para toda religião de cunho magístico natural energético, pois sem o conhecimento dos indígenas, ficava muito difícil, saber e conhecer as plantas, arvores e sementes para que pudessem co-relacionar e substituir pelas que somente havia na África.

Todas as vezes que vem um caboclo num terreiro, ele não vem sozinho, mas traz toda uma sabedoria secular dele e seu seus antepassados, de seu núcleo família, que infelizmente, muito deixam de solver tal sabedoria, por querer olhar para o futuro, para o cosmo, para órion, quando na verdade a essência da Umbanda, está no passado, na sabedoria do índio, do africano, das magias e misticismo dos europeus trazidos pelos exus.
Eles nos trazem sabedoria, filosofia, remédios para nossa alma, força para que possamos, como um grande caçador, desfiar dos obstáculos de trazer a nutrição a nós e a nossa família. É o respeito pela mulher, pelos mais velhos, e a força desbravadora de nossos caminhos para nutrir a fome, e a sabedoria dos mais velhos para combater doenças, para querer feitiço mandados, e a sabedoria de lidar com os elementos da terra essencialmente, das águas, do fogo, do ar. Pois aprendeu a fazer do meio natural, aliados para uma vida de fartura e abundancia.
Os Caboclos são espíritos da terra, das águas, da mata, da integração com o negro absorvendo outra cultura sem jamais perder a sua própria. É a seriedade, o labor rigoroso, mas amigo, o caçador que nos ajuda a abrir nossas oportunidades de provisões, de sustendo para nossa família.
         As Caboclas: grandes mães que ajudam a gerar e a nutrir os filhos, pequenos descendentes de seu sangue, trazem a doçura, os bons conselhos, conhecimento do ofício medicinal para os problemas simples do cotidiano.

Que todos os Caboclos possam partilhar conosco essa mesa feito com o que temos de melhor: nosso amor, carinho, respeito e gratidão a todas os caboclas e caboclos de umbanda.  



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Como identificar uma casa de Umbanda?

É muito comum pessoas confundirem candomblé, kimbanda, omoloko, entre outras religiões com a Umbanda. Tanto é difícil que estipular se certos rituais e preceitos são ou não de umbanda, como atabaques, jogos de búzios, ebós, boris , etc.
Daí a grandiosidade libertária e mágica da Umbanda que, muitos confundem , ao meu ver, com libertinagem, falta de estrutura e desordem. 

Há notoriamente influências e inclusões de fundamentos, ritos e preceitos oriundos de outros cultos, e que são praticados em grande número dos terreiros de Umbanda. Então é comum a diversidade grande de rituais nas casas de umbanda, pois muitos se apegam ainda hoje a ritos muito antigos oriundos da cabula, Candomblés de Caboclos, Catimbó e outros cultos praticados, seguindo uma tradição familiar repassada dentro de um núcleo raiz a qual recebeu seus ensinamentos. Além disso, devemos levar em consideração, muitos rituais e ensinamentos que foram sendo modificados e adaptados ao longo do tempo, assim como mesclando a realidades contemporâneas e outras crenças de caráter individual que acabou aos poucos se propagando. Em outras palavras; não existe consenso, cartilha, livro ou descrição dos rituais, procedimentos e ritos que formam um conjunto único sendo da Umbanda. Dai a grande multiplicidade que ela oferece a seus adeptos. 

Mas o que é essencialmente Umbanda ??
Como saber se uma casa é ou não de umbanda ??

Ao meu ver, vai muito mais além do que simplesmente dizer " se joga búzios não é umbanda, se cultua orixá tal não é umbanda, se usa atabaques não é ". 

No que tange filosofia, deve-se estar inserida numa coesão com o que a identidade umbandista prega, impreterivelmente e sem exceção " a caridade pela caridade"!

Casas que levam o rótulo de Umbanda, mas que cobram pelo apoio espiritual e consultas com as entidades; trabalhos , limpezas, oferendas, etc...Criam tabelas de preços e muitos abusivos, diga-se de passagem, está fugindo de um dos pilares da umbanda que é o acesso irrestrito a todos os que buscam auxílio espiritual e não somente aos que podem pagar pra recebe-los. Logo não considero umbanda.

Assim como as religiões de um modo geral, a Umbanda prega amor ao próximo, caridade, aprimoramento espiritual, perdão, ou seja , tudo que vai contra a práticas visando o mal, vingança e que vão contra o livre arbitrio do próximo. Logo, casas que fazem trabalhos contra terceiros, atende a caprichos de vinganças, pactos demoníacos para enriquecimento, amarrar anjo de guarda de alguém, trazer o homem rastejando em 3 dias etc. Não podemos considerar Umbanda.

Fato é que, existem práticas escusas dentro dos Terreiros de Umbanda? Sim. Assim como há em qualquer segmento religioso, se houver ali, adeptos egoístas, usando de um templo sagrado de religião para suas práticas desonestas, mentirosas e interesseiras, onde visão apenas resolver seus caprichos, vontades e necessidades. Nenhuma religião prega o ódio, a vingança, perseguições, ambição, ganância. Se há atos de tal natureza, advém do homem e não da religião A ou B. 

Além disso, casas que pregam um caminho espiritual pautadas no medo imposto por guias e orixás; de que são vingativos, que te matam se fizerem algo errado, que te punem, etc... Desconfie !!

Se os orixás são vingativos, egoístas, egocêntricos, ciumentos, mimados, violentos, impiedosos, acho que estou na religião errada, pois como cultuar algo que é pior em essência do que minha natureza de caráter?


Mantenham sempre o desconfiometro ligado! Usem a razão! A cada esquina pode haver um terreiro dito de Umbanda, mas mantenha-se alerta, questionador, crítico quanto a ações ilícitas e que sua natureza de caráter considere desonesto. 

Por um outro lado, mesmo com rituais e práticas litúrgicas que possa até ir contra o que acredita ser o mais válido, ou da forma que assim aprendeu com seus irmãos mais velhos, mas se ali sua alma se sentir ancorada em paz, amor e bem, ali pode ser o seu Terreiro legítimo de Umbanda. Mesmo que a casa fuja mais para um lado que você não esteja acostumado, como para o africanismo, ou para a pajelança, ou o culto aos Exus e Pombos Giras, mas que naquele núcleo você sente que encontrou a sua família espiritual, seus afins e irmãos de caminhada em busca do melhoramento pessoal, individual, coletivo e espiritual, você encontrou um lar legítimo de Umbanda. Siga em frente, seja muito feliz! A vida de um Umbandista é de dedicação, amor, fé, alegria e muito trabalho pela frente!    




terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ciganos na Umbanda




Antes de tudo gostaria de esclarecer que não temos a pretensão de “ser a voz da Umbanda. Mas tão somente passar a opinião de nossa casa a respeito do assunto.

A Umbanda, uma religião afro-brasileira, ou seja, de elementos africanos e brasileiros em seu bojo, e neste contexto, já inclusos a filosofia cristã que permeia a construção de nossa sociedade; herança de nossos colonizadores portugueses. Sem esquecer-se do legado indígena dos nativos de nossa terra. Mais a frente com a chegada dos Negros Africanos, foi-se mesclando um caldeirão cultural formado por conhecimentos afro-ameríndios-europeu. E foi justamente na interação entre negros e índios refugiados nos quilombos, para escapar da escravidão européia, passou a nascer uma mistura de raças, conhecimentos e culturas.
E mais tarde, já religiosamente falando, são justamente dessas três culturas básicas: européia, ameríndia e africana que foi surgindo muitos dos cultos espiritualistas, como por exemplo, os de raízes africanas. A manifestação adaptada de negros á suas crenças numa terra nova e estranha, sem saber onde ir para colher os elementos naturais necessários para estabelecer seus laços ritualísticos, onde foi imprescindível a ajuda dos nativos para passar-lhes conhecimentos sobre plantas, frutos, sementes, para que pudesse estabelecer uma substituição de seus elementos naturais, tão fundamentais para o culto do sagrado africano, acabou nascendo um tronco afro-ameríndio de espiritualidade.
Então podemos entender que o pilar das religiões que hoje entendemos como afro-brasileira, tem três culturas raízes de onde advêm rituais, filosofias, crenças, mitos, ritos, magística e feitiços. E a Umbanda, a Kimbanda, a Jurema, não foge muito disso.
Porém com o passar do tempo, começamos a perceber novas inclusões digamos assim, com disseminação de linhas de trabalho diferentes do que entendemos como: núcleo base. Sendo assim, podemos observar com maior freqüência, terreiros que atuam com linha do Oriente, médicos, Baianos, Marinheiros, Cangaceiros, entre outros.
Mas e os Ciganos na Umbanda? Como surgiram?

Existiu desde que Exu (entidades) passou a fazer parte da estrutura “base”. Porém Ciganos inseridos dentro da Linha de Exu nas falanges de PomboGira Ciganas e Exus Ciganos. Estes sempre existiram dentro dessa linha. Perfeitamente enquadrados dentro dos fundamentos peculiares e vibracionais da linha de Exu, levando em conta claro, as particularidades de cada falange e/ou linha de trabalho, como é com os Exus de encruzilhadas, calunga, etc. Os Ciganos nos terreiros de Umbanda vêm ou pelo menos vinham, nas giras de Exu e nunca houve problema com relação a isso. As pombogiras Ciganas com seus coloridos, saias rodadas e suas cigarrilhas trazendo seus sortilégios e magias.
Mas quando uma linha chamada “Oriente” passou a ser difundida e começou a se espalhar pelos terreiros, mais comumente nas regiões de sul e sudeste, os Ciganos foram migrando para a linha do Oriente. Ao ponto de muitos terreiros entenderem que Ciganos é equivalente a Linha do Oriente e vice versa. Então dependendo de como a casa atua no que tange suas linhas de trabalho, os Ciganos baixam em giras de Exu ou em giras de Oriente, conforme orientação de cada casa.
Particularmente não entendemos Ciganos como Oriente, pois os mais velhos da religião nos contam que antigamente quando um ou outro terreiro trabalhava com linha do Oriente, estes eram espíritos de diversas “identidades” que atuavam com a terapia vibracional para a cura e energização. Ou seja, eram espíritos que atuavam com a canalização energética para fluidificação de água para posteriormente serem usadas como remédios, passes aos doentes. Era basicamente um trabalho energético e os espíritos que baixava pouco falava, pois o objetivo não era a consulta e sim o trabalho para a cura através da atuação fluídica. Mas de uns tempos pra cá, Cigano virou sinônimo de “Linha do Oriente”.
Não querendo apontar o dedo para esta ou outra casa, mas não entendemos dessa forma. E o que testemunhamos atualmente em muitos terreiros é um misto de espiritualidade e fantasia, diga-se de passagem, não somente com os Espíritos Ciganos, mas com Exus e Pombogiras também. O imaginário popular cresce diante de arquétipos que são um convite a exteriorização de fantasias e desejos interiores de cada um, e muitos inconscientemente manifestam suas paixões no “glamour” que muitos criam envolta de alguns vultos de linhas de trabalho.
Motivo este que acredito piamente ser a causa da grande proliferação de linhas e mais linhas de Umbanda; de portugueses, esquimós, cangaceiros, mineiros, mendigos e por aí vai se aumentando as linhas do carretel da Umbanda. O que era simples e eficaz, agora é complexo e cada vez mais confuso, sendo uma porteira aberta a animismos, fascinações, engodos e shows de exibicionismos e alter egos.
Por outro lado, alguns afirmam inclusive os próprios espíritos Ciganos de que a linha de Exus e Pombogiras não são adequadas as suas atuações e há conflitos vibracionais. Pode ser por aí que muitas casas optaram por terem Giras de Ciganos apartados das giras de Exus. Justa colocação. Mas paremos para pensar: se cada espírito por suas razões sejam vibracionais ou de incompatibilidade de atuação dentro da Umbanda ou outra linha, pede pra abrir outra somente para eles, onde iremos parar? A Umbanda deve se adequar aos seus trabalhadores espirituais ou o mais coerente seria o contrário? Já pensou se todo espírito que foi um japonês, viesse e pedisse pra abrir uma linha somente para os espíritos japoneses, um que foi advogado e trabalhou com justiça, teríamos que abrir a linha dos advogados? Não tem o menor sentido.
Dentro de nossa compreensão, ou os Espíritos que querem militar dentro da egrégora Umbandista espiritual se adéquam a ela e suas linhas já existentes, ou trabalham fora dela, já que ela não oferece campo favorável a este ou aquele espírito de atuar. Mas ficar moldando todo momento, criando linhas e falanges, o que implica em várias outras questões, inclusive rituais e ritos específicos para sintonia de tal linha e isso é mexer em fundamentos, o que é de extrema complexidade e não: “simples, basta abrir uma linha pra tal espírito” e pronto.
Por tais questões é que nossa Tenda Cigana não está inclusa dentro da Umbanda e fazemos um trabalho completamente apartado da hierarquia, comandos e fundamentos peculiares da Umbanda e um terreiro dessa religião.
Não cabe nem é a função deste texto, criticar quem faça diferente, mas como dito acima, a intenção é tão somente passar nossa visão sobre os Ciganos dentro do contexto religioso Umbandista.
Acreditamos que dessa forma, os Ciganos irão atuar com toda a liberdade e dentro de uma estrutura que lhes são afins, estruturadas por eles mesmos, incluindo desenvolvimento mediúnico com os médiuns, cerimônias e rituais específicos que ficariam conflitantes dentro da Umbanda. Até porque os Ciganos oferecem todo um sistema de liturgia e rituais próprios e não somente “vem pra trabalhar: dar consultas e dançar”. Então dessa forma estes espíritos têm total espaço para atuar junto ao seu médium de forma ampla e mais adequada com a energia que estes espíritos trazem.


 Texto extraído do Blog Estrela de Lotus, casa co irmã de nosso Terreiro Umbandista! 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Exú; o mistério incompreendido!


Falar sobre Exu nunca é tarefa fácil. Ainda mais na Umbanda onde Exu refere-se a uma imensa linha de trabalho com inúmeras falanges de espíritos, muitas vezes associados a espíritos maléficos, mercenários, bebedores de sangue e por vezes o próprio Diabo. Mas deixe-me lembrar-los que dentro da crença espiritualista da Umbanda, o Diabo Cristão não existe. É bom esclarecer que o Orixá do panteão africano das divindades Nagô também chamado de Esú, foi , assim como outras divindades, associados a santos católicos, ainda na época da escravidão no Brasil, pois o negro africano escravizado era proibido de cultuar suas divindades e exercer suas crenças, sendo obrigado a converter-se ao cristianismo católico, sendo batizado e recebendo um nome português. E assim como Oxum foi associada com Nossa Senhora da Conceição, Ogum com São Jorge, o Orixá Esú foi com a figura do Diabo Católico. Porém deixamos claro que assim como Ogum não é São Jorge, Esú também não é o Diabo.
Porém toda essa associação, e o esforço de muitos em “demonizar” Esú, este virou grande tabu, alvo de distorções diversas e um pré-conceito muito grande.
E essa distorção ganhou muita força com manifestações espirituais de pseudos terreiros de Umbanda e médiuns a serviço de forças malignas e do grande jogo de interesses e troca troca que promovem com espíritos trevosos  das mais baixas zonas astralinas; verdadeiros vampiros e parasitas espirituais, que vivem sugando e vivendo as custas das energias de outros espíritos e encarnados ignorantes que oferece campos férteis de vícios desenfreados, maus pensamentos e ganância. Muitos baixam sob os nomes das falanges que conhecemos na Umbanda, mas são verdadeiros kiumbas (espíritos maléficos a serviços das trevas) que se vendem a quem “pagar mais” em troca de favores, pedidos materialistas de toda ordem e pactos de ganância e poder. Associações onde quem se filia a espíritos dessa categoria, pagará um preço alto, vivendo a mercê de suas vontades e caprichos, sendo fonte de energia para tais espíritos vampiros astrais.
Mas quem afinal é Exu de lei, Exu de Umbanda ? Dentro dessa egregora espiritual, Exu não é Orixá , como no Candomblé, embora carregue mesmo nome. Mas sim, são entidades prestadora da lei espiritual, a serviço da luz. Não estão para satisfazer nossas vontades e caprichos, mas para agir conforme o merecimento de cada um, doa a quem doer, tal qual é a lei divina de causa e efeito, do plantar e do colher. São hábeis mestres da magia, especialistas em desmanchar feitiços maléficos, atuando em zonas inferiores a serviço da espiritualidade superior.

Abaixo cito um trecho de um texto de Wagner Borges sobre os Exus e seu serviço a humanidade:

“Eles operam em climas pesadíssimos e são craques em dissolver as energias pesadas emanadas pelo ódio. Costumam trabalhar associados as egrégoras afro-brasileiras, principalmente na Umbanda. São espíritos que não costumam aparecer ostensivamente e não são dados a floreios espirituais. Costumam ser bem diretos e falam na cara o que for preciso, sem qualquer dose de concessão ao ego de quem os escuta. Dentro de sua maneira direta de agir, eles não suportam pessoas hipócritas e nem espiritualistas que complicam o serviço com os seus problemas corriqueiros. Também não gostam de pessoas que trabalham sem honra no caminho e apenas voltadas para a resolução de suas problemáticas infantis.



    Apesar de aparentarem um jeitão meio agressivo (quem os critica não trabalha com as energias pesadas que eles tem que aturar a toda hora e nem tem metade da raça desses amigos que operam no Umbral e que tanto ajudam a humanidade sem receberem o mínimo reconhecimento), respeitam muito a quem trabalha verdadeiramente voltado para a Espiritualidade Superior.... Alguns desses grupos extrafísicos trabalham ligados a diversos mestres espirituais que ajudam invisivelmente a humanidade. Servem nos planos densos sob o comando secreto dos mentores que patrocinam o esclarecimento espiritual planetário. São eles que seguram as barras pesadas nos ambientes densos e nos planos extrafísicos umbralinos. São eles os amparadores que descem as furnas malignas para enfrentar o mal que se esconde do olhar dos homens sem fé e sem coragem.
  
Sim, são eles que se revestem de coragem e partem para os combates com os agentes extrafísicos patrocinadores e exploradores das trevas humanas que se escondem aos olhos dos homens, mas que são observadas por esses Exus-amparadores.  São eles que ajudam muito a proteção de diversos grupos espiritualistas e nunca são reconhecidos pelos mesmos (muitos grupos estão mais preocupados com combates com os agentes extrafísicos patrocinadores e exploradores das trevas humanas que se escondem aos olhos dos homens, mas que são observados por esses Exus-amparadores. São eles que ajudam muito a proteção de diversos grupos espiritualistas e nunca são reconhecidos pelos mesmos (muitos grupos estão mais preocupados com a pureza doutrinária do que com a verdade que se apresenta e precisa ser evidenciada de forma universalista).”

Dizem que o conhecimento é a luz que derruba as trevas da ignorância. Talvez quando nos voltarmos para a busca da compreensão, conhecendo de fato esses trabalhadores espirituais através de casas sérias e dignas, comprometidas com a prática da mediunidade a serviço do bem maior coletivo em conjunto com a espiritualidade superior, derrube a escuridão que venda nossos olhos e nos enche de julgamentos distorcidos, preconceituosos e equivocados a respeito desses trabalhadores que trabalham duro nas zonas mais difíceis ajudando tanto plano carnal e espiritual, contribuindo no equilíbrio cármico, e as leis supremas de Deus.

A todos os Exus e Pombo Giras nossos agradecimentos a toda proteção, amparo e segurança que está ao nosso redor, sejam nos trabalhos no terreiro ou no dia a dia de nossa jornada cotidiana. Muitas vezes sendo a porta que se abra para nossa melhoria de vida, a voz que nos aconselha ao melhor, a curva que nos desvia dos perigos a diante, a tesoura que corta demandas enviadas por pessoas vingativas e cheias de ódio no coração, sendo a energia que traz o movimento agitado que empurra nossa vida, nossos desejos e anseios pra frente. Nosso “muito obrigado por tudo” a todas as entidades que labutam nessa grande linha espiritual de Umbanda a serviço do bem e leis divinas, a todo Exu e Pombo gira. Obrigada! 

Terreiro de Umbanda Vovó Catarina

Xangô: majestosa sabedoria!


Pai ancestral, de tantas representações; vida, fogo, calor, discernimento, força e justiça. Axé imemorável da humanidade que representa o homem no exato momento em que começamos a nos agregar em grandes grupos sociais, formando civilizações articuladas e grandiosas. Xangô é o axé do discernimento humano, do seu poder de agregar e conduzir das massas para o crescimento coletivo e familiar. Axé que agiu na criação da união dos homens nômades primitivo, que viviam em pequenos grupos familiares a transformação de uma organização que gerou o modelo de sociedade que conhecemos hoje.

Xangô é o poder dos raios e trovões a mover as transformações climáticas.
É o calor da vida, tão fundamental para o impulsionar da força e entusiasmo do homem  perante as realizações de sua própria vida afetiva e material.
Axé que está no corpo humano em nosso coração, no calor de nosso corpo, e no funcionamento de nosso metabolismo.
A justiça talvez seja o atributo mais associado a Xangô. Mas devemos estar cientes que a Justiça divina, não se assemelha com nossa concepção egoísta e distorcida de justiça. Mas é envolta de perfeição, que não acoberta um ou outro por sentimentos individuais ou predileção, mas sim, perante as leis imutáveis do Criador, que é implacável e igual a todos sem distinção. Por isso, em situações que necessitamos o clamor por justiça a nossos detratores, devemos sempre pedir a Xangô o melhor a ambas as partes. Clamar pela luz da sabedoria e do discernimento divino que derruba a escuridão do egoísmo cego, onde somente faz com que olhemos para nós e nossas necessidades. Clamemos por clemência e misericórdia para que todos possam enxergar suas falhas e ter força e coragem para corrigi-las.
Nesse dia onde louvamos esse nome divino, clamamos por misericórdia, pelo poder da luz do discernimento na mente da humanidade. Que todo homem possa alcançar a sabedoria para ser o Rei justo, clemente e sábio para sua própria família. Que alcance o esclarecimento e sabedoria necessária para conduzir a todos para o crescimento e riqueza espiritual e material.

Pai Xangô, grandioso Rei, nos conceda seu calor, o poder de seu fogo, a fortaleza de suas rochas a nos proteger, a sua sabedoria pra nos guiar, a sua riqueza e majestade pra nos elevar cada vez mais em nossa vida; como homens, mulheres, irmãos, pais, filhos e filhas. E assim estaremos nos aprimorando e nos elevando cada vez mais junto a ti, como espíritos ancestrais conscientes da divindade real e viva dada pelo amor do Criador a toda a sua criação.   Kaô Kabecile ! Salve nosso Rei Xangô! 

Este texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda Vovó Catarina

Mediunidade na Umbanda



Iremos abordar o desenvolvimento mediúnico dentro do segmento Umbandista, para que os iniciantes possam ter um entendimento da atmosfera mediúnica e suas peculiaridades com foco não somente no mediunismo em si, mas nos meandros que permeiam o tão popular “desenvolver” na Umbanda; o “colocar a roupa branca”.
Com este material temos o interesse de levar um conhecimento aos médiuns recém chegados em nossa Seara, para que possam compreender melhor o que se passa com ele durante as giras ao sentirem a chegada das entidades. Como ser também, um material que sirva de apoio com aconselhamentos e explicações diretas e objetivas para que a condução de do desenvolvimento mediúnico, seja o mais esclarecido possível, para que a serenidade, confiança e equilíbrio possa se estabelecer.

Começaremos então, falando brevemente das diferentes dos intercâmbios e condução mediúnica nas diferentes Searas espiritualistas mais populares para que possamos ter uma idéia das diferenças de um é outro para que nos situemos melhor em nossa prática religiosa afro-Brasileira.
 Diria que o desenvolvimento na Umbanda e religiões de cunho similar mediúnico; como Jurema, Almas e Angola, Kimbanda, é extremamente diferente de outras doutrinas, como a Espírita e o Candomblé por exemplo. A Espírita é uma doutrina mediúnica, onde há intercâmbio entre planos físico e espiritual, através de capacidades mediúnicas desenvolvidas em indivíduos. Este desenvolvimento é feito dentro dos centros espíritas para aqueles que apresentam afloramento de suas capacidades. Desenvolvimento este, que tem triplo aspecto dissociavelmente; doutrinário – o médium precisa iniciar-se num estudo profundo da Doutrina Espírita contida nas Obras Básicas de Allan Kardec. Moral – o médium precisa começar a desenvolver sua reforma íntima. – Prático – o médium através do trabalho de passes e doutrinação mediúnica, vai canalizando as capacidades em si, até que possa dá-se a ser um meio de comunicação entre dois planos.
Já o Candomblé, apesar de parecer a “olho nu”, uma religião também de cunho mediúnico, e embora haja de fato, manifestações dessa natureza, este não é um segmento religioso mediúnico. Os processos de tal natureza são conseqüências e não o bojo central. Haja vista que trata-se de um culto voltado para o indivíduo, das forças da natureza,  e divindades.
            Ao passo que a Umbanda é uma religião mediúnica por excelência, que tem como foco central, o trabalho assistencialista promovido por espíritos; guias e entidades que se manifestam através de seus médiuns. E neste particular é que a Umbanda se difere do Espiritismo, pois este, está mais para o trabalho mediúnico como meio de doutrinar, esclarecer e prestar socorro aos necessitados do plano espiritual, enquanto o foco dos trabalhos mediúnicos na Umbanda e demais religiões similares, é o atendimento aos encarnados através de entidades.
Embora possam parecer apenas focos diferentes de trabalho, quando entendemos mais sobre as religiões de cunho afro brasileira, entendemos que há por trás de simples intercâmbio mediúnico para amparo dos aflitos, há uma relação profunda, porém não tão explícita, com nossos antepassados, tanto familiares, quanto as raízes étnicas de nossa terra.

Não obstante, é dever também ressaltar que não somente as searas espíritas são quem promovem auxílio a espíritos necessitados, carentes e sofredores, mas a Umbanda também. Claro de forma diferente, porém, este socorro não é desprezado. Muitos de nossos guias levam espíritos doentes para sessões de cura e aprendizado dentro de nossos terreiros, que sequer imaginamos, mas são grandes pronto socorro para muitos desencarnados.
            É fato que muitos terreiros de Umbanda também promovem, quando necessário, incorporação de obsessores nos chamados *médiuns de transporte. Mas poucas casas trabalham através com incorporação do tipo.

            Gostaria de destacar também que muito além de diferenças no foco de trabalho entre ambas as Searas, há particularidades no que envolve a mediunidade de incorporação.
            Já que nos Centros Espíritas, as incorporações em sua maioria, tem o objetivo de ajudar os espíritos perturbados, essa conexão é de natureza diferente, quando nos Terreiros de Umbanda, incorpora-se os guias espirituais. Não diria que tecnicamente, pois mediunidade independe de religiões, mas como incorpora-se espíritos de baixa vibração no espiritismo, está se dá através de uma maior conexão mental entre espírito  e médium, entanto na Umbanda há tanto a ligação mental, como um controle maior por parte do espírito nos centros nervosos e motores do médium.
            Por que essa diferença?  
            A natureza espiritual dos comunicantes nas Sendas Espíritas, precisa de um controle maior mental por parte do médium, haja vista que estar-se conectando com espíritos desequilibrados e de toda ordem. O médium tem o papel de mediador, de transmitir de forma ordenada e comedida as comunicações. O medianeiro é o responsável pela comunicação, e de impedir qualquer manifestação agressiva, inapropriada, palavras de baixo calão, ou até mesmo, ímpetos de ataques físico. E por conta disso, não há o controle do espírito no físico do médium. Este, é o transmissor da mensagem e palavras que chegam no seu campo mental. Além disso, o médium capta toda a atmosfera áurica do espírito, sentindo todas as sensações, dores, angústias, sentimentos de raiva, desespero, agonia, rancor, pela conexão entre ambos que se estabelece. Vale lembrar que muitas vezes, emoções e sensações que possam nos invadir repentinamente, podem na verdade, não ser nosso. Mas pela sensibilidade aflorada - princípio de uma abertura mediúnica muitas vezes- que nos ligam com espíritos desequilibrados e acabamos por sentir suas sensações e captar pensamentos que não vem de dentro de nós, mas externamente. 
            Já na Umbanda, o panorama é completamente diferente. Nos comunicamos mediunicamente com mentores e guias, que promovem verdadeiro tratamento energético espiritual em seus médiuns. Na verdade, mesmo quando somos apenas assistentes, tomamos o passe, ou simplesmente estamos congregando com a corrente de uma Casa, já estamos invisivelmente sendo tratados. Porém, quando entramos para uma corrente como médium e adepto, os guias em conjunto com a parte física da casa, passam a ministrar também um tratamento para nossa mediunidade e centro energético, muitas vezes em total desequilíbrio. Através dos banhos, dos passes, e das irradiações produzidas pelas entidades, vamos abrindo nossos centros de força de forma adequada, para que nos tenhamos um fluxo de movimentação energética satisfatória, pois bloqueios e abertura muito grande em nossos chacras e aura, podendo trazer sérios malefícios e não damos conta disso, pois passam como mero desconforto seja emocional ou físico.
                  Mas vamos entrar efetivamente no assunto Mediunidade.
           
O que é Mediunidade – é a capacidade natural que nos permite sentir e interagir com o plano espiritual. Quem fez nosso curso: Animismo e Mediunidade, deve lembrar que abordamos o assunto sob outro prisma; na de que apenas fenômenos que possa efetivamente estabelecer uma comunicação entre um espírito e o plano físico, que tenha a obrigatoriedade de uma intervenção de alguém espírito para que possa estabelecer a comunicação, pode ser considerada mediunidade. E que as capacidades naturais advinda do próprio espírito do médium, como a clarividência, desdobramento, sonhos premonitórios, etc. são fenômenos anímicos – da própria alma do médium e que não requer de nenhum tipo de intervenção de algum espírito.
            Porém, iremos neste material, para facilitar o entendimento geral, adotar a interpretação dada por Allan Kardec, onde todas as capacidades e fenômenos extra-físicos e extra-sensoriais são considerados mediúnicos.   

Mediunidade na Umbanda

É inegável que a capacidade mediúnica privilegiada na Umbanda é a incorporação (psicofonia), pois por ser uma Religião conduzida pelo plano espiritual de forma efetiva e direta, em conjunto com os dirigentes encarnados dos terreiros, é preciso que os guias tenham acesso direto para se manifestar e falar através de seus “aparelhos”. Podemos dizer que cada casa é um núcleo, uma célula de um grande organismo que é a Umbanda, dirigida ostensivamente por seus mentores astrais e dirigentes carnais. E para que essa parceria “administrativa” ocorra, o dirigente é sempre um médium de incorporação, para que possa ser o elo de ligação dos dirigentes espirituais para os filhos de terreiro encarnados.   Daí a grande importância da mediunidade de incorporação. São os guias que trazem os ensinamentos para organização e estruturação de cada casa, e como a casa deverá ser conduzida. São os guias que trazem os ensinamentos para o nosso aprimoramento humano e espiritual, assim como nossos irmãos mais velhos, nossos pais e mães de terreiros, que também tiveram como mestres, nossos guias espirituais. A relação entre adeptos e guias é intensa e constante. É com eles que aprendemos a crescer dentro de nossa religião, que aprendemos a crescer como pessoas e como família. São os guias que trazem os fundamentos que cada casa irá seguir, e repassar aos seus filhos.   

Incorporação

Diferente dos centros Espíritas, as incorporações na Umbanda envolve mais o domínio por parte da entidade nos centros nervosos e motor do médium. Há também a atuação mental, mas as sensações corporais que se sentem são mais acentuada, como apontamos mais acima. A entidade assume parcial controle do corpo do médium, atua nos centros da fala, e estabelece a conexão mental. Este domínio é relativo de médium pra médium e até de entidade para entidades, podendo ser variante. Cada entidade pode atuar mais acentuadamente em determinado chacra ou parte do corpo.
Assim como nas incorporações em centros espíritas, o médium na Umbanda, também pode repassar o que vem a sua mente, pois as mensagem vinda da entidade passa primeiro pelo seu campo mental, e este, muitas vezes “ouve” internamente o que a entidade dirá, antes de ser pronunciadas as palavras. Porém, vale lembrar que, quando se estabelece perfeita sintonia entre médium e entidade, esse processo é tão automático, que parece que é a própria entidade que assume a fala, e o médium é mero ouvinte. Parecendo que não se passou pelo mental do médium.

Irradiação X Incorporação

     
É extremamente necessário colocarmos que as entidades começam primeiro com o processo chamado de irradiação. Ela emana, irradia energia e trabalha nos centros energéticos e aura no médium. Nesse trabalho, muitas vezes acha-se que a entidade quer vir e incorporar. Mas não é bem assim. Para isso, ela primeiro precisa trabalhar os corpos sutis do médium e ir aos poucos estabelecendo favorável conexão. Na irradiação, o médium não perde o controle dos movimentos do corpo. Pode ter certa dificuldade de movimentar algum membro, caso ele tenda a contrair o corpo pela sensibilidade das vibrações que sente.

Interferência psíquica


Este é um problema, que é também pejorativamente chamada de animismo, é fato constante em iniciantes, e até mesmo, médiuns mais experientes que não passaram por boa educação mediúnica.
            Como as incorporações , principalmente no inicio, passa pelo mental do médium de forma mais lenta e perceptível, o médium fica em dúvida se o pensamento é dele, ou da entidade. E isso pode gerar conflitos, porque há duas consciências ali interagindo; médium e entidade. Além disso, o médium novato questiona todo o tempo sobre o que ocorre a sua volta, o que dificulta um relaxamento necessário para a entidade assumir o controle para uma plena incorporação.
            Como vocês podem ver até aqui, incorporar e ser um veículo realmente eficaz e fiel ao que a entidade quer transmitir não é tarefa fácil. Principalmente nos iniciantes, que estão cercados de dúvidas, medos, questionamentos, insegurança e a ansiedade, que é um dos piores inimigos do neófito. A pressa de quer saber quem são seus guias, de querer trabalhar incorporando, dar consultas, atender pessoas, ter as coisas de seus guias, é o pior dos engodos que podemos passar. Pois essa pressa, pode se misturar a períodos de irradiação promovida da entidade e daí para uma pseu-incorporação é um salto muito grande.
            Não tenha pressa jamais. Não apresse o falar das entidades. Muitas vezes as incorporações começam de forma lenta, e a entidade vai dominado aos poucos o médium, mas não consegue ter um domínio tal, que lhe permita falar através do médium. E nossa ansiedade, junta a corrente de pensamentos que passam em nossa mente, de suposições e achismos, acaba-se por ser a voz das entidades, muitas vezes. Além disso, nem sempre a entidade tem algo a dizer ao cambono. Muitas vezes, ela somente veio trabalhar as energias do médium e ajudar junto a outros guias, pela atmosfera energética da casa. Mas o silêncio da entidade, pode incomodar os ansiosos e apressados iniciantes.
            Agora, quando estabelecida uma incorporação plena, a entidade tem o dever de falar quando lhe for solicitado. Afinal o objetivo da incorporação é a comunicação oral. Se não for para se comunicar verbalmente não é preciso incorpora, não concorda? Se for apenas para trabalhar as energias do médium e do terreiro ou dos assistidos, basta a entidade atuar irradiando através do médium, e não precisa incorporar. Mas uma vez que se estabelece a incorporação, é porque a entidade pode falar se for lhe perguntado algo ou solicitado. Não existe entidade que não possa falar, seja sob quais condições teve em vida pretérita. Pois ela irá usar o arquivo mental do médium para se comunicar. Mesmo que ela tenha sido um espírito que encarnado, não teve acesso a língua local, ela irá usar o conhecimento mental do médium para estabelecer uma comunicação. Ela poderá falar de forma peculiar, mas é capaz de falar a língua do médium. Além disso, o próprio médium, pode ser o medianeiro a transmitir o que lhe chegam em pensamento, oriundo do que a entidade quer falar.  

Educação Mediúnica


É algo que o tempo dá? Sim e não, se a pessoa tiver um suporte para obter essa educação. Não é o tempo então que fornece, mas direcionamento disciplinado de um orientador. Porque trabalhar dentro de uma seara promovendo atendimentos a pessoas com seus mais variados problemas e dificuldades, não é tarefa fácil e não envolve somente ampliar e equilibrar a capacidade mediúnica em si. Envolve uma série de fatores; como preparo psicológico (fundamental), ético, ter uma base de conhecimentos pertinentes a curas naturais, saber promover a auto cura: lidar com processos energéticos em si e nos ambientes, entre outros fatores. O tempo de “colocar a roupa e a entidade vem e faz tudo”, já passou. O médium precisa também de instruir, buscar conhecimento pertinente a energias, planos espirituais, ervas, fluidificações, e assuntos pertinentes a interação entre os dois planos, mediunidade, etc. 
O contrário, se a pessoa não buscar se integrar de fato em suas capacidades, buscar entendimentos dos diversos processos de cura, de socorro espiritual que suas entidades fazem. Ela será sempre um médium passivo, que não irá aprender nada ou muito pouco. E o objetivo não é “emprestar o corpo”, mas através dos processos mediúnicos, ir crescendo, aprendendo junto com as entidades e conforme for aprendendo, ir ajudando também, não só suas entidades, mas a casa e os trabalhos que ela executa.

Saber por que está e para que está

Um médium de Umbanda precisar ter bem definido em sua cabeça essas duas situações. Saber por que está ali, define bem o seu papel dentro do Terreiro. Saber para que dá uma diretriz e foco que faz-se necessário para um desenvolvimento sério e centrado na realidade e não na “fantasia juvenil” que muitos tem ao colocar o uniforme de Umbanda; de que é bonito, é legal ter entidades poderosas e fortes que ajudarão as pessoas a resolver todos os seus problemas. Ser alguém requisitado e falado de que tem lindas e fantásticas entidades. Acreditem; muitos ingressam com tais expectativas.
Sempre defendo e morrerei defendendo que ninguém é OBRIGADO a “cuidar disso ou daquilo”. De entrar para Religião A ou B. Se somos OBRIGADOS, é porque perdemos a opção de escolha, pois quem tem obrigação, não tem escolhas. É obrigado a cumprir tal tarefa, daí, foi-se o livre arbítrio para o mundo das utopias. Mas optar, escolher e abraçar uma religião como norte em nosso caminho como ser humano espiritual, não passa pelo caminho da imposição. Mas infelizmente é a realidade para muitos. Inúmeras pessoas estão em N religiões porque simplesmente foram coagidos, ludibriados, seduzidos por alguém de natureza espiritual não carnal que contou a triste estória de que se não entrasse para abraçar tal fé, sua vida iria pro ralo. De que a causa de todas as suas doenças eram por conta da negação que você mesmo fazia em aceitar tal religião para si. De que a fome, o desemprego que já dura meses, as portas fechadas, é simplesmente uma cobrança para que você entre no caminho que foi escolhido por você mesmo antes de nascer.
ACREDITEM: a FELICIDADE e ABUNDANCIA não depende de estar na religião A ou B, de cuidar disso ou daquilo, mas de estarmos bem e em paz conosco. Nossa felicidade está dentro de nós e não fora de nós; em religiões, em doutrinas, em crenças ou dogmas religiosos, mas de buscarmos a crença em nós, na fé de que fomos capazes de encontrar dentro de nós, perdidas no meio das incertezas, medos, mágoas e solidão, a felicidade e plenitude. Qualquer que seja a religião nos oferecerá caminhos, meios, remédios paliativos, mas nenhuma delas irá viver ou caminhar por você, ou lhe dará a riqueza, solução de problemas. Elas são um suporte, um auxílio, uma porta para que NÓS mesmos, caminhando com nossas próprias pernas, méritos e deméritos, consigamos entrar nossos tesouros que cada um constrói pra si através de nossas escolhas, pensamentos e olhar pra vida. Elas podem ajudar com que encontremos respostas, nos reconciliemos conosco e encontremos o Deus que habita em cada um de nós. Mas não somos obrigados a seguir e crer nesta ou naquela para isso. Até porque, essa plenitude é o destino inexorável de todos nós. Somos criações divinas feitas para a felicidade, o progresso, o crescimento, a  sabedoria, elevação divina e as riquezas. E não para a ignorância, trevas, miséria, infelicidades e desgostos. E todos nós estamos caminhando pra isso. Uns mais rápidos outros mais lentamente. Uns irão sem dar muitas voltas, enquanto outros, ainda persistem e vagar a vagar, passear e passear para, muitas vezes, voltar ao mesmo lugar e ver que nada construiu, além de ilusões, más escolhas e crenças em falsas promessas de riquezas e vida fácil.
Mas e aqueles que são médiuns? São obrigados a desenvolver? Obrigados não é a palavra. Mas dependendo do nível de abertura mediúnica é aconselhável que esta pessoa busque amparo em conhecimentos mediúnicos para aprender a controlar e equilibrar o que está em desequilíbrio. E isso não está relativo em abraçar religião X ou Y. Mas de passar por tratamentos e processos que equalizará os canais mediúnicos e o orientará a condutas, posturas e pensamentos mais apropriados para um caminhar mais harmonioso entre você, o mundo, as pessoas e sua mediunidade. E ressaltando novamente que MEDIUNIDADE independe de religião, e, portanto, há várias formas de usá-la, manifestá-la e canalizá-la para o bem individual ou coletivo.   
Então voltando novamente em por que estamos? Por escolha sincera, madura e consciente de que é esta a filosofia, crença e religião que tocou sua alma para que ali você estivesse. Por afinidade com o que se comunga ali. Por amor e ligação espiritual. Mas não por curiosidade ou para solucionar os problemas de sua vida por promessas, nem tão pouco porque lhe disseram que era obrigado a estar.
E para que estar? Para coletivamente buscar o crescimento e elevação da alma entre irmãos que comungam de similares ideais, crenças e filosofia. Para ajudar, somar e contribuir, numa troca salutar e válida para todos os envolvidos ali. Para estar dentro de um seio familiar espiritual e ali ser um meio para se encontrar, descobrir habilidades, descobrir deficiências e tentar melhorá-las. Achar talentos ocultos, olhar pra dentro de si e descobrir afinal, como é maravilhoso e divino, ser quem é e estar numa família que você escolheu em outras e nesta vida para caminharem juntos novamente. Já que não existem coincidências e nem acasos. Todos se unem com seus iguais e semelhantes. É uma lei de atração que não podemos fugir dela. Onde a sua alma se sentir em paz, sentir amada e protegida, ali é o seu lar.    

Este texto pertence ao acervo do Terreiro de Umbanda Vovó Catarina